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Secrets - final, pt 1.


Eu me lembro, olhos pequenos e chorosos de Cath me encarando, suas pequenas mãos segurando meu rosto dos dois lado. Ela depositou um beijo delicado e doce na minha testa. Ela travou seus lábios depois do carinho. Eu sabia que ela queria dizer alguma coisa.
- Diga Cath. – Tirei uma mecha de seu cabelo dos seus olhos e a coloquei atrás da sua orelha.
Ele suspirou e ponderou se devia mesmo falar alguma coisa.
- Tio Liam – Um biquinho pequeno se formou nos seus lábios delicados e ela mordeu o inferior. Senti sua mão tremer no meu rosto. E eu assenti tentando passar a ela algum conforto pra que ela me dissesse o que atormentava seu pequeno coração. – Eu ouvi minha mãe conversado com minha vovó. – Eu segurei suas mãos entre as minhas. – Eu não estava espiando, eu juro! – afirmou apressada e eu tive vontade de sorrir apesar da seriedade da situação. – Ela estava chorando e eu me preocupei, por isso ouvi... Ela estava falando sobre o meu pai. – ela mordeu o lábio que estava tremendo e meu coração batia tão forte que eu temia que ela ouvisse. – Ela disse para a vovó que conversou com o meu pai.
Ela começou a chorar e eu me desesperei, beijei suas mãos e tentei aquece-las entre as minhas.
- Estou aqui Cath. –Disse só para fazer ela se lembrar de que não estava sozinha.
- Ela disse que o meu pai estava muito bravo. – ela soluça. – Ele acha que eu não devia ter nascido.
Tudo ao meu redor desmoronou quando vi as lagrimas gordas caírem por todo seu rosto. Eu queria chorar com ela ou abraçar ela e dizer toda a verdade. Dizer pra ela que tudo o que ela ouviu era verdade. Eu fui esse monstro, mas que tudo isso foi antes de conhecer ela. Foi antes de eu ver seu sorriso lindo, seus olhos brilhando quando conseguiu fazer os exercícios de matemática. Foi antes de me lembrar do meu coração apertado quando ela ficou doente. Foi antes de sentir vontade de abraçar ela o tempo todo, beijar seus cabelos e dizer que ela me deixava muito orgulhoso. E eu percebi que o que mais me orgulhava era o fato de que ela não era igual a mim.
- Cath. – Sussurrei sem saber o que fazer e ela abraçou com força meu pescoço.
- Você também acha isso, tio? Você acha que eu não deveria ter nascido?
- Não! – Falei um pouco alto e desesperado demais. – Cath você é a criaturinha mais incrível que eu já conheci nesse mundo. – Acariciei sua costa como se ela fosse capaz de me perdoar só por causa daquele carinho.
Estávamos parados no corredor do prédio da mãe dela. (S-N) já estava louca atrás de Cath e não parava de me ligar.
- Promete uma coisa pro tio? – Eu sussurrei e ela assentiu.
- Nunca, nunca mesmo acredite em alguém que fale assim de você ok? Cath você é linda, bondosa, inteligente e é muito amada, ok? Muito amada! - Ela assentiu limpando as lágrimas e me abraçou mais uma vez. – Vamos antes que a sua mãe me mate. – Eu sorri mas não fui retribuído.
Andei até o apartamento de Cath de mãos dadas com ela. Eu estava engolindo em seco e sentindo nojo de mim mesmo. Quando foi que eu me tornei o que eu mais repudiava?
Toquei a campainha e (S-N) se apressou em atender, me fuzilou com o olhar antes de abaixar e abraçar Cath. Mas seu abraço não foi correspondido pela pequena, e eu vi a dor passar nos olhos de (S-N). Cath entrou no apartamento indo direto pro banheiro.
- Podemos conversar? – Pedi. Ela assentiu fechando a porta atrás dela. Ela não me olhava nos olhos, sabia que ela estava muito machucada para fazê-lo. – Eu sinto muito de verdade.
- Você já disse isso Liam. – Me interrompeu irritada.
- Eu quero consertar tudo (S-N), eu quero mesmo. – Implorei.
- E como acha que vai fazer isso? – Esbravejou me olhando pela primeira vez desde que começamos a conversa. – Tirando ela de mim e confundindo ela? Se aproximando e depois se afastando o tempo todo? Me dizendo que sente muito?
Eu suspirei, eu sabia que ela tinha razão mas eu simplesmente não sabia como agir.
- Eu nunca fui pai (S-N)... – Confessei.
- Eu também nunca tinha sido mãe Liam. Mas aconteceu e eu não fugi, eu trabalhei, adiei minha faculdade, morei de favor em um quarto quando a Cath era só um bebê que mal sabia andar porque eu precisava estudar. Eu vi meu corpo mudar e amamentei. Ouvi pessoas me julgando por ser mãe solteira. Acordei em noites de madrugada com ela chorando. Corri com ela pro hospital sempre que ela precisou. Eu li pra ela e conversei com ela todas as noites durante os nove meses. E eu não me arrependo de nada. Liam você nunca vai saber o que é isso, você não pode chegar até aqui com os seus sentimentos confusos pra confundir minha Cath. Ela é muito inteligente, mas ainda é só uma criança. Por favor lide com os seus próprios sentimentos antes de se aproximar dela de novo.
Ele finalizou e por mais que doesse eu sabia que ela estava certa. Eu apenas assenti e retirei um papel do meu bolso e anotei meu número do telefone.
- Qualquer coisa que vocês precisarem, me liga? – Ela pegou o papel e assentiu mas eu duvidava que ela ligaria.
Eu queria beijar sua testa e lhe desejar uma boa noite, talvez ela me convidasse pra ficar e poderíamos fingir que não havia nada acontecendo, mas eu sabia que ela não o faria. Por isso só cumprimentei-a com um aceno e andei até o elevador.

(S-N)

Talvez tenha sido a pior dor de todos os tempos quando Cath não me abraçou de volta. Pela primeira vez eu não sabia como lidar com a minha pequena. Fechei a porta assim que Liam me deu as costas e eu senti uma vontade imensa de chorar.
Peguei um pouco de água e ouvi um barulho estranho vindo do quarto Cath, ela estava chorando, eu sabia.
Preparei um leite quente pra ela e bati na porta do seu quarto. Ela não respondeu então eu tomei liberdade de entrar. Ela estava deitada de costa para mim, o ombro tremia de leve por mais que ela tentasse disfarçar.
- Cath. – Sussurrei sentando ao seu lado na cama, ela ergueu seus olhos castanhos nos meus e eu queria poder entender a força do sentimento que eu tinha toda vez que ela me olhava. Céus eu a amava tanto. Eu vivia por ela e enfrentaria quem quer que fosse para proteger minha pequena. – Nós precisamos conversar e esclarecer algumas coisas. – Ela apenas assentiu, e eu liguei o abajur dando o copo de leite pra ela. – A mamãe agiu muito errado com você hoje. Você tem o direito de se perguntar e me perguntar sobre o seu pai, meu amor. – Peguei sua mão delicada e acariciei com o polegar. – Eu acho que fiquei com ciúmes porque não quero que você me troque por ele. – Fingi um biquinho e ela sorriu. – Você é nova para entender tudo o que aconteceu comigo e com o seu pai, não fique se martirizando por isso. Você me tem e eu nunca vou te abandonar.
- Eu sei mamãe – ela me interrompeu. – Eu não quero mais saber dele! – decidiu.
- Posso saber porque? – Ela deu de ombros.
- Porque eu tenho você! – Ela abriu um sorriso tímido e eu tive vontade de morder sua bochecha rosada. Ela realmente sabia como me ganhar. A beijei na testa.
- Quando você estiver pronta eu prometo contar, tudo bem? – Ela assentiu e terminou de tomar o leite.
- Mamãe? – Chamou minha atenção quando eu me levantei para deixar seu quarto. Olhei para meu pequeno embrulho na cama. – Pode dormir comigo hoje?
Sorri animada e assenti, me deitando ao seu lado e me cobrindo.
- Eu te amo minha Cath. -  Sussurrei antes de apagar o abajur e beijar-lhe mais uma vez a testa.

Quando amanheceu ajudei Cath a se arrumar e a levei para a escola. Deixei-a na porta da sua sala para a aula de História e segui até a diretoria. A secretaria me avisou que o diretor iria me atender.
Entrei em sua sala bagunçada e cheia de papéis e pastas. Um homem pequeno e novo estava mexendo em uma das pastas.
-Sente-se por favor. – Ele pediu sem me olhar e eu sentei na cadeira a sua frente. Em uma plaquinha virada para mim vi “Sr. Scotters”. – Muito bem em que posso ajudar?
- Sou mãe da Catherine do sétimo ano. – Ele abriu um sorriso.
- Cath, é claro. É uma ótima aluna, não tem com o que se preocupar. Tem algumas dificuldades aqui e ali mas é perfeitamente normal na idade dela.
- Eu sei que Cath é exemplar. – Sorri tentando parecer amigável. – Na verdade vim saber o porquê dela ter sido recusada no time de futebol feminino.
- Eu não estava sabendo disso. – Ele disse ajeitando seus óculos.
- Bom ontem ela chegou chorando no meu trabalho dizendo que não tinham deixado ela entrar para o time porque ela é filha de uma mãe solteira. – Engoli minha raiva. – Veja bem Sr. Scotters, Cath é só uma criança. E a vida pessoa da nossa família não diz respeito a ninguém aqui. O fato de que o pai dela não é presente na vida dela não a faz pior que ninguém, e eu acho que as crianças da sua escola deveriam saber disso. E essas situações deveriam ser evitadas. Não pago esse absurdo aqui para que a minha filha seja humilhada.
- De forma alguma a senhora está errada. – Ele engoliu em seco. – Nós temos um dia em que as crianças passam a tarde fazendo atividades como musicoterapia, aulas de música, encontros com a nossa psicóloga e a Cath sempre elogia muito a senhora. Ela é uma menina muito feliz e não temos dúvidas disso. Sinto muito que ela tenha passado por isso, e eu prometo que vou coloca-la no time de futebol e conversar com as crianças sobre a questão da família. – Ele disse anotando algo em sua agenda.
- Ótimo, eu agradeço muito. – Sorri, me levantando. – Tenha um bom dia.
- Igualmente. – Me levou até a porta da sua sala.


Liam

Eu precisava pensar. Precisava ir pra longe pra conseguir raciocinar. Pedi para Brad cobrir meu turno no fim de semana e jurei que pagaria o favor. As palavras de (S-N) ecoavam na minha mente. Encontrei ela no corredor, mas decidi não conversar com ela. Não enquanto eu ainda estivesse confuso. No meu horário comprei uma passagem de trem que me levaria até o vilarejo de Clovelly, onde meus pais mantinham um pequena casa no campo.
Eu estava arrumando minhas malas quando ouvi meu celular apitar. O peguei sem realmente prestar atenção ao número que me enviou uma mensagem. Abri ela.
“Cath me disse que você soube sobre o que ocorreu com as meninas no time de futebol. Eu fui até a escola e está tudo resolvido. Ela está dentro.”
(S-N) havia me mandado uma mensagem e eu não podia conter a surpresa – e felicidade -  por isso realmente ter acontecido.
“Não que você queira saber disso mas é só pra você não ficar se remoendo.”
Enviou em seguida e eu percebi que ela ainda estava insegura em compartilhar sobre a vida da Cath comigo.
“Eu fico muito feliz por isso! Se acontecer de novo você me avise.” – Respondi.
“Aliás, amanhã estou indo viajar. Vou ver os meus pais em Clovelly, se lembra de lá?”
A resposta demorou, e eu cheguei a pensar que não viria.
“Me lembro sim, eu adorava aquele lugar.”
Foi inevitável não sorrir, eu queria responder que podia levar ela e Cath algum dia, mas ela não iria gostar.
“Tenho que ir, viajo amanhã cedo. Boa noite” – Não fui respondido.
Deitei-me já de madrugada. Eu não sabia exatamente se aquela viagem me faria encontrar todas as respostas que eu precisava. Mas eu ainda me lembrava de quando minha mãe me dizia que não há problema em lhe pedir um pouco de colo, não importava a minha idade, e era exatamente disso que eu precisava: um colo.
                                       ***********
A viagem era cansativa como sempre fora: eu lia um livro, bebia alguma coisa, dormia um pouco, tentava ouvir música mas nunca parecia o suficiente para o tempo passar. Quando desci na pequena estação, peguei um taxi que me levou até a casa de campo dos meus pais. Pela janela vi os primeiros cavalos aparecerem, eu os adorava quando era mais novo, fazia questão de treinar e alimentar eles... Mas há muito eu não fazia.
Depois estavam as plantações de frutas e a horta. Minha mãe cuidava das suas plantas como cuidava de mim, e vendo agora eu sentia muito orgulho dela. Não tinha uma piscina, não precisávamos! Havia um lago de águas límpidas próximo a minha antiga casa na árvore. A porta da frente estava aberta e ao entrar eu senti o cheiro de bolo e chá que a minha mãe fazia. Sorri feliz, era bom estar em casa. Andei até a cozinha para ver minha mãe encostada à pia regando as poucas flores que enfeitavam a cozinha. Me encostei no batente da porta e a observei por um tempo. Minha mãe sempre fora minha heroína, eu sempre corria para ela quando algo estava fora de controle. Por um segundo me perguntei se Cath se sentia assim em relação a (S-N)
- O cheiro está ótimo. – Eu disse e sorri. Minha mãe se virou depressa com a mão em seu peito, mas logo seu sorriso se abriu e ela me deu um abraço apertado.
- liam, meu filho. – Bagunçou meus cabelos. – Você não avisou que viria. – Afirmou e se virou para a porta que nos levava até o jardim. – Geoff venha ver quem está aqui. – Ela gritou por meu pai que apareceu todo sujo.
-Filho. – Ele me abraçou sem se importar com a sujeira. – Desculpe, eu estava dando banho em um dos cavalos. Ele é novo, você precisa conhece-lo. – Eu assenti sorridente.
Nós nos sentamos na mesa e minha mãe nos serviu o café da tarde, eles estavam animados com a minha chegada e faziam planos o tempo todo. Eu apenas assentia e concordava feliz, as vezes respondia uma questão ou outra sobre o trabalho.
Após o café eu subi até o meu quarto e deixei minha mala por lá. Ele estava intacto, a não ser pela cama perfeitamente arrumada. Me deitei um pouco com meu celular em mãos, eu queria tirar fotos e enviar para (S-N), mas sei que não faria o menor sentido fazê-lo.
Acabei dormindo com as minhas roupas pesadas e acordando quando meu celular apitou me notificando de uma mensagem. Era (S-N)
‘Sexta que vem será o aniversário de Cath... Ela quer muito que você esteja presente. Vamos entender se você estiver ocupado.”
Eu sorri ansioso para responder que eu estaria lá não importa o que houvesse, mas minha mãe bateu na porta do meu quarto avisando-me que já se passavam das 16:00hrs.
De todos os lugares daquela enorme casa, o preferido da minha mãe era a cozinha. Ela adorava cozinhar e o fazia com muito amor. Talvez a cozinha perdesse somente para a horta. Quando desci as escadas vi que ela estava fazendo algo na pia, e me sentei na mesa para observa-la.
- Onde está o meu pai? – Perguntei.
- Ele foi para a cidade comprar algumas coisas. – Ela me olhou e sorriu e eu senti que era a hora perfeita de dizer tudo o que eu estava sentindo.
-Mãe, eu vim até aqui porque eu precisava muito de um conselho.
Ela sorriu amorosa e beijou meus cabelos assim que se aproximou.
- É claro que sim. – Respondeu.
- Você se lembra da (S-N)? foi uma das minhas primeiras namoradas e a que mais durou. – Eu ri baixo vendo ela assentir. – Se lembra de que quando eu entrei para a faculdade ainda estávamos juntos? – Ela concordou novamente, virada de costa para mim e eu agradeci mentalmente por não ter que olha-la nos olhos enquanto falava. – Bem, eu não sei como te dizer isso... – Confessei ouvindo-a rir baixinho.
- Meu amor só há uma forma de contar as coisas:  a direta. – Eu concordei e limpei minha garganta.
- Quando eu entrei para a faculdade ela estava grávida. – Minha mãe parou de cortar seu legume e me olhou um pouco assustada. – Eu não sabia, eu juro. – Me apressei. – Ela nunca me contou. – Suspirei. – Coincidentemente ela está trabalhando no mesmo hospital que eu. Foi quando eu descobri tudo... Quando eu a reencontrei. – mordi meu lábio. -  Eu agi muito mal com ela mãe. Eu esbravejei, gritei e fui violento. Eu estava fora de mim, eu não acreditava que eu poderia ter uma filha. – Ela cruzou os braços e estava me deixando nervoso. – Eu reneguei a menina. Disse que não queria contato nenhum... Pior, eu disse que ela tinha sido um erro. -  Abaixei meu olhar sentindo um gosto amargo na boca. – Mas eu não pude evitar e acabei conhecendo a menina. Ela tem 13 anos e é o serzinho mais lindo e incrível que eu já conheci. Ela é linda mãe, tem meus olhos, tem a minha boca... Eu tenho certeza de que ela é mais parecida comigo, mas ninguém admite isso. – Eu ri baixo. – Ela não sabe que eu sou o pai dela, e por sinal ela guarda sentimentos muito ruins sobre o pai. Ela ouviu mãe conversando com a avó no telefone... Ouviu que o pai dela disse que ela era um erro.  E advinha para quem ela correu? Para mim! – ri amargurado. – Irônico não é? Ela é tão inocente, tão bondosa, não merece o pai que tem. Ela me adora, eu a ajudei a estudar matemática e cuidei dela quando ela estava doente. Ela sabe que namorei a mãe dela. Eu fui até a casa de (S-N) outro dia e disse que queria consertar as coisas, mas não sei como fazer.
Eu jamais saberia explicar o que a expressão da minha mãe significava. Ela sentou ao meu lado e segurou minhas mãos com um sorriso triste. Eu quis chorar, quis pedir pra ela me dizer que tudo ficaria bem.
- O que você sente por essa menininha, Liam? – Me perguntou com delicadeza, me fazendo perceber que eu nunca havia parado pra pensar nisso.
- É confuso mãe. No começo eu dizia para mim mesmo que não queria nenhum contato com aquela criança, e mesmo assim eu a procurava em todos os lugares que eu ia. É como se meu cérebro entrasse me pane toda vez que eu estou com ela. E tudo o que eu vejo e sinto é ela. E por ela que eu faço tudo. Eu quero consertar mãe, eu juro que eu me arrependo. Agora eu sei que eu me arrependo. Mas eu não sei como, eu não sei se eu tenho direito a isso, não sei se eu devo e... Eu estou com medo. – Confessei.
- É claro que está! Ter um filho não é fácil, filho. – ele suspirou.
- Eu sei, (S-N) me disse que passou por muitas dificuldades no começo.
- Ela era uma menina adorável. – Assenti. – Liam todos nós cometemos erros durante a vida. Alguns são grandes demais para voltarmos atrás. – Meu coração se apertou. – A não ser que uma coisa seja maior que seu erro e te mova a mudar tudo. E a única coisa capaz disso é amor. O amor faz coisas incríveis, meu anjo. Você ama essa menina a partir do momento que soube que ela era sua, e não haverá mais ninguém no mundo tão importante para quanto ela. Você estava confuso no começo, eu acredito. Mas você não está mais, sua confusão agora é só uma desculpa que o seu medo inventa pra não deixar o amor te mover. – Eu sorri, ela estava me narrando uma guerra de sentimentos. – Filho, o que você fez foi horrível, poderia ter acabado com elas, mas você quer voltar atrás e se você se arrepende de verdade você tem tudo para consertar esse erro bem aqui. – Colocou a mão no peito. – Ela é sua filha, não a deixe sozinha.
Eu assenti sem saber exatamente o que dizer. Minha mãe era tudo o que eu precisava, eu podia ver ela segurado Cath.
- Eu quero muito que ela me ame. – Sussurrei como um segredo. E minha mãe riu sapeca.
- A (S-N) ou sua filha? – Eu sorri.
-Bem lá no fundo acho que as duas.
- Não permaneça no erro Liam. Tome uma atitude. – Ela me abraçou apertado. – Seja o homem que eu te criei para ser.
Eu assenti, eu estava certo do que queria.

Eu estava andando pelo grande jardim da casa de campo quando entrei de novo na minha casa de árvores. Quando eu era pequeno ela era o clube dos meninos, todo verão nós visitávamos Clovelly e eu fazia muitos amigos. Nós decorávamos a casa com figuras de super heróis e brinquedos e meninas eram proibidas. Quando eu fiz 17 anos (S-N) estava comigo na cidade, a casinha ainda era o clube dos meninos, mas eu tinha certeza que ninguém iria se importar se eu levasse a minha namorada, a quem eu era completamente apaixonado, até lá. Nós transamos na casinha e foi uma das coisas mais incríveis que eu tinha feito na minha vida. Sentado no chão de madeira com um sorriso bobo no rosto, imaginei que Cath poderia ter sido feita ali. Talvez eu pudesse decorar com coisas que ela gosta para que ela tivesse seu próprio clube quando viesse aqui.
Se é que ela viria.
Eu fazia muitos planos e na maioria Cath me perdoava, mas a verdade é que eu não saberia como ia fazer pra que ela entendesse que eu a amo. Mas eu estava certo: Cath iria saber que eu sou o pai dela assim que eu voltasse de viagem.
No domingo eu fui embora logo após o almoço. Minha mãe me abraçou forte e pediu que eu fosse forte. Prometeu-me que iria esclarecer toda a história para o meu pai. A viagem de trem pareceu ser mais rápida, apesar de saber que isso era só meu instinto ansioso falando mais alto. Quando cheguei em casa respondi a mensagem de (S-N).
“Eu estarei lá, prometo.” – Ela logo respondeu.
“Que ótimo, Cath não parava de me perguntar se você já tinha respondido.”
Meu sorriso estava bem aberto, e eu tomei liberdade de ligar para (S-N).
- Oi. – Ela atendeu meio tímida. – Como foi a viagem?
- Oi. Bom, foi ótima... Eu esclareci muitas coisas, e minha mãe te mandou um grande beijo.
- Como ela soube de mim?
- Eu contei, é claro. – Sorri e quase pude tocar seu sorriso também. – Cath está aí?
- Não, essa semana ela não teve aula e foi ficar com a minha mãe, ela foi para alguma cidade turística e arrastou Cath com ela. E advinha? Catherine adorou! – ela riu.
- Mas você tem certeza de que é seguro deixar ela viajar sozinha? – Perguntei sem pensar, e vi que ela demorou um pouco para responder.
- É a minha mãe Liam, ela não está sozinha. – Riu baixo e eu concordei.
- Você está livre agora? Já jantou?
- Ainda não, estou vendo o que vou fazer para o jantar! Posso saber o motivo da pergunta?
- Posso passar ai? – disparei. – Precisamos conversar e eu quero que Cath não esteja por perto. – Ela fez uma pausa e eu sabia que ela estava mordendo o próprio lábio.
- Tudo bem, eu espero.
- Estou ai em meia hora. – Desligamos e eu fui me arrumar o mais rápido que pude. Toquei sua campainha assim que cheguei e ela me antedeu com um rostinho amassado. Eu tinha certeza de que ela estava dormindo antes da ligação. Eu conhecia bem aquele rosto, ela não tinha mudado muita coisa, apenas amadurecido. Me deu passagem e eu entrei naquele lugar que ainda não era muito confortável para mim.
Ela foi para a bancada que dividia a sala e a cozinha e eu me sentei em um dos bancos na bancada.
- Posso saber sobre o que vamos conversar? – Perguntou retirando duas taças do armário.
- Sobre... Tudo. – ela assentiu entendendo o que eu quis dizer e pegou uma garrafa de vinho.
- Eu só tomo em ocasiões especiais. – Ela disse sorrindo, e seu bom humor estava me assustando. Me ofereci para abrir a garrafa para ela, que aceitou a ajuda de bom grado. Serviu o vinho para nós e me olhou. – Podemos conversar depois do jantar? Não quero me irritar e te expulsar da minha casa antes de comer. – Eu ri, mas eu não sabia se era um riso bom ou um riso desesperado.
- Tudo bem.
Ela nos serviu alguma massa que estava muito bem feita e gostosa, nós brindamos com o vinho e tomamos ele. Durante o jantar conversamos sobre coisas bobas e leves. Me peguei reparando nela várias vezes, ela estava de camisola, seu cabelo estava em um coque cheio de fios soltos, seu rosto limpo e o sorriso estava firme em seus lábios. Ela era tão linda. Céus como eu havia esquecido da beleza dela?
Depois do jantar e de algumas taças de vinho nós sentamos em sua varanda. Ela estava agarrada em uma almofada como se tentasse se proteger. Eu não sabia como começar, eu não havia planejado o que falar e muito menos como falar.
- Bom... – Comecei limpando minha garganta e ela sorriu, eu esfreguei minhas mãos e ela percebeu que eu estava nervoso. Seus olhos grandes e curiosos me desafiavam a continuar. – Todo esse tempo, desde que nos reencontramos eu estive fazendo a coisa certa do jeito errado. -  Ela virou o rosto confusa. – Eu me aproximei de Cath, mas eu não sabia exatamente o porquê. Você estava totalmente certa em tudo o que me disse. Eu estava dizendo que sentia muito sem saber pelo que eu sentia. Mas agora eu sei. – Engoli em seco, e segurei uma das suas mãos entre as minhas. Suas belas mãos. Eu acariciei sua palma com meu polegar. – Eu sinto muito por não ter te deixado falar quando eu me despedi. Sinto muito por ter me afastado da forma que eu fiz quando entrei na faculdade. Eu estava me sentindo maduro e pensei que seria um atraso continuar com algo que me prendesse ao meu passado. – Ela mordia o lábio e eu sabia que tudo aquilo estava doendo nela, mas era necessário que eu fosse sincero. – Eu fui um idiota todo esse tempo e eu sinto muito por isso. Eu sinto muito por não ter estado presente e acima de tudo por ter desperdiçado minha chance de ser um bom pai quando eu a conheci. Eu me aproximei da forma errada, eu te assustei, fiz Cath gostar de mim e em seguida me afastei. – Mordi meu lábio. -  Eu fiz tudo errado desde que terminei com você.
Ela estava pronta para falar mas eu a interrompi.
- Mas eu tenho uma nova chance e eu vou fazer a coisa certa. Eu estava confuso, você tem toda razão, eu renegava Cath e mesmo assim me aproximava. Mas eu não estou mais agora, (S-N). Eu sei o que eu quero, e eu sei o que eu sinto. Eu amo a Cath, eu a amo muito. E de forma alguma eu quero roubar a importância e todo o esforço que você teve para criar essa menina. Isso nunca vai ser apagado, eu prometo. Você foi uma mãe maravilhosa e a Cath é tão maravilhosa quanto você. Mas por favor não me impeça de fazer a coisa certa. A gente não pode mudar o passado mas eu sei que eu posso ser melhor no futuro, e no presente. – Engoli em seco, respirei pesado e disse o que eu realmente queria lhe dizer: - Quero que Cath saiba que eu sou o pai dela.
Sua mão tremeu um pouco entre as minhas e eu, em um gesto sem pensar, a levei até os meus lábios. Dei beijo delicado na sua palma macia. Quando meus olhos se voltaram para os delas eles pareciam sorridentes.
- Liam eu não vou impedir você de nada, certo? Eu concordo que essa atitude seja a certa e se você quer que ela saiba, por mim tudo bem.
- Não é só isso... Eu quero ser o pai dela. – voltei a acariciar sua mão. - Entende? Eu quero estar com ela, me aproximar.
- Eu acho que isso depende muito do que ela vai querer. Também não vou impedir você de se aproximar, mas somente no tempo de Catherine, ok? Se ela não quiser nós vamos respeitar o tempo dela. – Eu assenti sabendo que ela tinha total razão.
- Eu fui até a casa na árvore em Closvelly. – Sussurrei com um sorriso esperto, e vi meu sorriso se espelhar no dela. Eu sabia que nós tínhamos a mesma lembrança daquele dia.
- Ela guarda grandes segredos. – Ela exagerou e riu, mas eu assenti.
- Nós bebemos todo o whisky do meu pai. – Eu ri. – E transamos umas duas vezes. – Ela riu alto.
- Eu odiei aquele Whisky!
- É bom saber que desse dia você só odiou o Whisky.
Ela riu mais alto ainda e eu me peguei admirando seu sorriso. Eu estava sorrindo só porque eu podia ver o dela. Algo fez meu coração acelerar e ali naquele momento simples eu soube que eu não queria somente Catherine na minha vida. Eu queria (S-N) também. Ela estava me encarando também, e eu daria qualquer coisa pra saber no que ela estava pensando.
- Eu quero mais vinho! – Ela riu e entrou na cozinha pegando a garrafa e mais duas taças.
- Ei mocinha, você não trabalha amanhã?
- Na verdade não, na sexta fiquei até mais tarde em uma palestra com o Dr. Storm, então ele me deu o dia de folga amanhã. - Eu assenti sorrindo.
- Bom, eu tenho que trabalhar então não coloque muito pra mim. – Ela fez um biquinho. Seus lábios estavam avermelhados por conta do vinho e eu queria muito beija-la. Olhei por seus braços e eles estavam arrepiados. – Quer entrar? Aqui está esfriando.
Ela concordou e nós entramos nos sentando no sofá. Ficamos em um silêncio um pouco desconfortável, suas mãos estavam perto das minhas e eu queria muito pegar elas. (S-N) encarava um ponto fixo na parede a nossa frente.
- Cath vai fazer 14 anos. – Sussurrei mais para mim. Ela assentiu sorrindo.
- Ela está crescendo, não acredito que já se passou todo esse tempo. – Ela confessou.
- Eu não acredito que perdi tudo isso.
- Chega disso. – Ela segurou minha mão com força e se aproximou. – Vamos pensar no presente e no futuro, ok?
- Ok! – Prometi sorrindo. Com a pouca coragem que eu tinha, levei suas mãos aos meus lábios. Ela sorriu e eu comecei a traçar um caminho de beijos delicados, da sua palma até a ponta de seus dedos. (S-N) soltou uma gargalhada e eu ri também, mesmo sem entender o motivo da graça ali.
- Gosto de quando me beija assim. – Ela disse tão baixo que eu jurava que se não estivéssemos tão próximos eu não teria escutado. Meu coração acelerou e eu a olhei nos olhos.
- Você gosta? – Ela assentiu deixando a taça de lado. Com seu indicador ela passou a mão em seu pulso, eu entendi seu recado e depositei um beijinho ali. Seu dedo subiu por todo o braço e eu segui seus comandos. Meu coração pareceu dar um solavanco quando eu cheguei em seu ombro. Eu sentia o cheiro inebriante da pele dela. Ela me apontou seu pescoço e eu o beijei com toda vontade e saudade que eu tinha dentro de mim. Depois foi a vez do seu queixo, onde eu tomei a liberdade de dar uma mordidinha que a fez rir. Estávamos inebriados pelo momento nostálgico. (S-N) mantinha os olhos fechados e a expressão concentrada. Me indicou sua bochecha, uma por vez. Depois sua testa, onde eu beijei com carinho. Seu dedo escorregou pela ponta do seu nariz. Meu coração estava ansioso e eu temesse que ela pudesse saber disso. Seu indicador finalmente chegou aos seus lábios, o qual ela contornou delicadamente. Olhei-a seriamente me perguntando se ela queria mesmo aquilo, ela não me olhou, somente assentiu. Eu tomei seus lábios nos meus sentindo-os gelados e com gosto de vinho. Eu adorava aquela boca, como eu adorava. Era isso o que tinha me faltado por todos esses anos. Era por isso que apesar da minha vida – até agora – ter saído como eu planejava, eu nunca estava feliz. Era porque faltava algo. Faltava ela.
Seus lábios eram macios exatamente como eu me lembrava, e o gosto de vinho melhorava tudo. Ela levou a mão para a minha nuca e se aproximou mais de mim, sua coxa estava em cima da minha. Levei minha mão para a sua coxa, sem saber se eu estava indo rápido demais, mas ela não reclamou. Eu a apertei um pouco e ela sorriu contra os meus lábios. Aproveitei-me da sua distração e beijei sua bochecha até a linha da sua mandíbula, descendo para o pescoço onde mordi. Ela suspirou com a mordida e tudo pareceu fazer sentido. Era como se houvesse somente eu e ela naquele momento. Impulsionei meu corpo sobre o dela, e ela se deitou no sofá, coloquei minhas mãos por baixo da sua cabeça para que ela não se machucasse. Desci meus beijos por todo o seu colo até chegar no seu decote. Ela não parava de suspirar, mordi onde a curva do seu seio se começava a fazer presente, lambi e em seguida assoprei. Ela gemeu baixinho e eu pressionei meu sexo excitado contra a sua coxa. Ela segurou meu braço e fez um esforço enorme pra falar: - Estamos indo rápido demais. – Fechei meus olhos um tanto frustrado, mas como sempre ela tinha razão.
- Me desculpe. – Sussurrei de volta, deixando que ela se sentasse. Ela negou com o rosto.
- Não se desculpe por isso. – Sorriu tímida. Eu olhei no relógio, apenas para confirmar o que eu já sabia:
- Está ficando tarde, é melhor eu ir. – Ela concordou e nós nos levantamos.
- Obrigado pela companhia. – Ela abriu a porta. – Boa noite.
- Boa noite. – Eu sorri e beijei sua testa mais uma vez. Comecei a caminhar um tanto frustrado pelo corredor quando ouvi ela chamar meu nome. Voltei para ela como um cão. Ela segurou meu rosto e beijou meus lábios mais uma vez em um selinho molhado e carinhoso.
- Boa noite. – Disse de novo, com um sorriso sapeca.
- Boa noite (S-N).
                                                   *******

(S-N)

A semana se passou mais rápido que eu pensei que passaria. Com todos os preparativos para a pequena festa que eu faria para Cath. Ela não escolheu um tema, apenas escolheu a cor azul. Eu sabia que era sua cor preferida e estava tentando fazer o meu melhor para ela.
Liam parecia mais ansioso que eu, mas ele tinha motivos. Durante toda a semana ele invadia meu consultório e me roubava um selinho ou dois. Eu não sabia exatamente o que estávamos fazendo, mas eu sabia que eu gostava. Ele fora meu primeiro em tudo e eu jamais havia o esquecido. Estar com ele de novo me fazia reviver coisas que foram perdidas quando ele se foi.
Mas na sexta feira ele não apareceu no meu consultório e eu sabia que ele estava nervoso demais para isso. Ele falaria com Cath e eu esperava que tudo corresse bem.


Liam
Eu estava tão nervoso que mal podia respirar. Quando cheguei na festa simples da minha pequena Cath, ela abriu um sorriso que iluminou tudo ao nosso redor, e também me desesperou. Ela pulou no meu colo e me levou pra conhecer a mesa cheia de doces. Estava tão orgulhosa em dizer que sua mãe e ela tinham feito tudo. Queria que eu provasse alguns antes pra ter certeza de que estavam gostosos, mas eu a tranquilizei dizendo que tudo o que ela fazia ficava incrível.
Eu via os convidados chegarem e (S-N) os cumprimentarem com educação e sorridentes. Me imaginava ali com ali, recebendo eles como o pai de Cath. Daniel entrou também e se sentou comigo, dividimos uma cerveja e conversamos sobre nada em especial. Ele estava acompanhado com uma moça que eu não conhecia.
Quando os convidados acabaram de chegar (S-N) se sentou conosco e tomou um pouco da minha cerveja, me fazendo rir. Cath estava distraída com suas amigas e Daniel com sua nova companheira, (S-N) aproveitou-se disso para me dar um selinho demorado. Uma música animada estava tocando, e várias pessoas estavam dançando.
- Vem. – (S-N) me puxou para dançar apesar de todas as minhas recusas. Dançamos duas músicas animadamente até Cath nos interromper e dançar com a gente também. Quando me distraí com a pequena, (S-N) nos deixou a sós e foi ver se estava tudo certo com os comes e bebes.
- Você e a minha mãe estão namorando? – Cath me perguntou com uma simplicidade que eu achei impossível.
- Não... Não Cath. – Eu ri baixo. – Somos amigos, se lembra?
- Mas amigos não beijam, tio Liam. – Ela me olhou curiosa. E eu realmente não sabia o que fazer.
- Bom, nós somos amigos íntimos. – Eu disse e a girei para tentar fazê-la mudar de assunto.
Cath estava tão feliz, era quase palpável a felicidade que ela emanava. Ela finalmente dizia que era uma adolescente e estava adorando a nova sensação. Eu esperava que toda aquela felicidade continuasse quando eu a contasse com o meu discurso – nada planejado – que eu era o seu pai.
Depois da nossa dança Cath me deixou sozinho com (S-N) o tempo todo, nós sentamos, comemos e ela apenas se lembrou de mim quando fomos cantar os parabéns, ao qual ela me deixou ao lado dela na mesa.
Boa parte dos convidados já haviam deixado o salão quando (S-N) me puxou para a cozinha e me beijou carinhosamente. A surpresa e o carinho dela deixou o beijo muito melhor, e minhas mãos soadas e ansiosas se acalmaram quando encontraram a curva da sua cintura.
- Eu acho que é uma ótima hora pra você falar com ela. – Ela sussurrou entre selinhos, e eu sabia que ela estava tentando me acalmar.
- Vou precisar da sua ajuda. – Eu pedi e ela sorriu.
- O que você quiser.
                                                   ********
O salão ficava dentro de uma praça, eu estava sentado em um banco que eu mesmo havia decorado, com pequenas flores rosas que contrastavam com o branco do ferro, depois da pequena ponte que dava passagem para o outro lado do lago artificial que havia ali.
Pedi que (S-N) avisasse Cath que alguém a esperava no primeiro banco depois da ponte, alguém que queria muito falar com ela. E que a trouxesse para mim. Eu ouvi os passinhos apressados da Cath, e mesmo de costa para ela eu podia ouvir ela sussurrando para a mãe que queria saber porque ela tinha que estar ali. (S-N) a deixou na ponte, abaixou-se e segurou a cintura da minha filha.
- Cath, eu te amo. – (S-N) disse. – Lembre-se do que eu sempre te ensinei sobre ouvir as pessoas, sim?
Cath assentiu calada e curiosa.
- Mamãe, é o tio Liam que me espera. – Meu coração apertou.
- É ele sim, vai até lá e por favor não esqueça que eu te amo. – (S-N) volto para o salão e Cath correu animada até onde eu estava e se jogou sentada ao meu lado.

- Tio Liam... – ela riu. – O que vamos fazer aqui?. – Eu sorri sentindo meu lábio tremer.
- Eu quero falar com você – Sorri. – Você já uma adolescente... – brinquei. – E tem algumas coisas que você deveria saber. Seu sorriso decaiu, apesar de seus lábios ainda estarem curvados.

(coloque para tocar)

Respirei fundo, olhando um ponto fixo a minha frente e comecei:
- Quando eu tinha sua idade eu costumava planejar tudo. Eu tinha uma lista de coisas que eu queria fazer e ser. Eu achava que sempre tudo iria sair exatamente da forma como planejava. – Mordi meu lábio. – E eu sempre me decepcionava. Eu passava horas no meu quarto com os olhos fechados e apertados sonhando com o dia seguinte. Cada mínimo detalhe do meu sonho era planejado. Mas o amanhã chegava e nada saia como eu havia planejado. Até mesmo aqueles detalhes que eu havia imaginado com tanto carinho. A minha primeira decepção foi aos sete anos. Eu estava no meu quarto, o dia seguinte seria o meu aniversário e meu pai iria me levar para assistir um jogo do meu time preferido. Mas meus pais começaram a brigar, eles eram novos, sabe? Meu pai saiu de casa naquela noite e não voltou mais. – Mordi o lábio. – Eu acordei no dia seguinte com a minha mãe tentando me explicar o que havia acontecido. Quando ela me deixou sozinho eu peguei minha agenda e risquei o item 1 que era ir ao jogo com o meu pai. Quando eu tinha nove anos meu pai voltou. E ele me ensinou uma coisa muito preciosa, Cath. Duas lições que eu demorei muito tempo para entender: 1) As pessoas erram  e 2) A vida uma peça de improviso. – Segurei suas pequenas mãos entre as minhas, observando seus olhos em mim. – Lembra de quando você disse que sabia quem eu era? – Ela assentiu. – Você estava certa, eu namorei sua mãe. Nós nos conhecemos quando tínhamos 16 anos. Você precisava ver, sua mãe era tudo o que eu não queria. E eu tenho certeza de que ela se sentia dessa forma também. Eu era o filhinho da mamãe, meu cabelo estava sempre perfeitamente penteado para trás com um gel. E ela era.... Ela era única Cath. Ela não tinha medo. Ela me contou que nunca planejou nada, que sempre aceitou tudo o que veio. E sabe isso me assustava muito, mas nós nos apaixonamos. E durante nosso namoro nós erramos muitas vezes.
- Tio... – ela começou baixinho, mas eu não deixei que continuasse.
- Eu não esperava ficar com ela para sempre. Ela era uma das pessoas que sempre me decepcionavam porque ela não seguia o roteiro que eu tinha feito para a minha vida. E ela me ensinou a lição mais importante de todas: o perdão. – Eu sorri. – Ela sempre me decepcionava e eu sempre a perdoava. Mas o que eu não sabia é que isso a assustava muito, o fato de sempre me decepcionar... Quando eu tinha 18 anos eu comecei a planejar e a notar que ela não estava em nenhum dos meus planos. Eu passei em medicina e a deixei como se... Como se ela nunca tivesse significado nada. Eu fui para a faculdade e terminei nosso namoro por uma carta. Eu não a vi nunca mais depois disso... até agora. – Sorri. – Quando nos reencontramos ela estava diferente e eu também. Nós conversamos. – Mordi meu lábio. – No dia que eu me despedi dela, eu me lembro exatamente de ver uma expressão de pura tristeza nela, eu nunca tinha visto uma tristeza igual àquela. Mas ela não falava por medo, por medo de me decepcionar de novo. Ela disse que tinha algo para me contar, mas eu não deixei Cath. – Eu senti meus olhos se encherem. – Eu era tão egoísta Cath, eu não sei como uma pessoa tão bondosa como a sua mãe conseguiu me amar, porque eu só pensava em mim, na minha felicidade perfeitamente planejada. Mas é como meu pai disse: a vida é uma peça de improviso. Depois de muitos anos eu soube o que a magoava daquele jeito, minha pequena. – Sorri triste para ela. – Naquele dia, quando eu a deixei, ela tinha algo muito sério para me contar e eu não me importei. E por todos esses anos eu não tenho me importado. E eu vi que o grande erro da minha vida fora esse: perder tanto tempo planejando tudo e ficar cego para o que realmente estava acontecendo, porque para mim a minha faculdade de medicina era mais importante que a tristeza da única mulher capaz de me amar na vida. Naquele dia Cath, ela estava com uma bolsinha, e naquela bolsinha estava um teste de gravidez. – Cath me olhou apavorada, seus olhos estavam me analisando assim como os meus. – Eu sinto muito Cath – senti meus olhos transbordarem. - eu queria que você tivesse tido algo melhor todo esse tempo, porque você merecesse algo muito além disso... – Ela abriu a boca para falar mas eu a interrompi. – Eu sou seu pai Cath.

Lágrimas escorrem pelos seus olhos
Quando você perde algo que não pode ser substituído.

Lágrimas escorrem pelos seus olhos
E eu te prometo que aprenderei com os meus erros.

Fechei meus olhos. Minha respiração estava audível. Eu esperava que Cath me abraçasse e me disse que estava tudo bem e que ela estava feliz. Mas eu senti suas mãos pequenas escorregarem das minhas. Ela se levantou do banco e ficou a minha frente. Abri meus olhos.
- Você acha que eu não deveria ter nascido. Logo você. – Ela sussurrou em prantos e eu tentei me explicar.
- Não Cath, eu te disse que eu era egoísta. Eu errei...- Mas ela negava tudo o que eu dizia. – Cath por favor, não faz isso comigo. Eu te amo. 
Ela chorou audivelmente e a última coisa que eu vi foi minha pequena correndo para longe de mim.
- Cath, por favor. – Tentei chama-la mas foi completamente em vão.


(N/A):  Sei que demorei mas ai está, espero que gostem. O final completo já está escrito, mas como ficou bem longo eu tive que dividir para não ficar muito cansativo. Deixem nos comentários o que vocês acharam. E de acordo com alguns pedidos eu decidi terminar todos os imagines que ficaram pendentes antes de postar algo novo. Eu vou tentar postar uma continuação todo domingo até que todos estejam finalizados. Para quem se pergunta sobre Blue: foi enviada para o espaço criativo (antigo all time fics) e vai ser hospedada lá, mas quando ela entrar definitivamente eu aviso vocês e mando o Link. Não se esqueçam de comentar porque me ajuda muito. Boa leitura!!


37 comentários

  1. Meu deus ahhhh
    Estou em prantos socorro

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  2. AI MEU DEUS COM9 VC ACABA ASSIM!!
    Eu quase chorei aqui e quase pirei quando vi a continuação!!Sério esperei meses por isso!!!Amo demais esse imagine!Daria um bom livro!

    Amo demais esse imagine!!
    Continua logo pf!

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    1. hahahahaha poxa muito obrigada, me deixa muito feliz ler esse tipo de coisa. Muito obrigada mesmo!

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    1. Provavelmente em um fim de semana, mas ainda não sei ao certo, como eu disse ali em baixo estou esperando aumentar estatísticas do blog

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  4. Alguém me da um lenço , to em prantos

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  5. como vc pode parar kogo nessa parte/meu deus to chorando muito...e aaaaaah mocinha tem umas vizualizaçoes minhas pq toda vez que eu voltava pra ver se vc tinha postado eu lia ele todinho denovo!!!continua logo!!!

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    1. hahahahah que fofa!!! não foi minha intenção fazer você chorar (talvez tenha sido um pouquinho) adorei, melhores leitoras hahaha <3

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  6. Vc sempre some ��

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    1. Oiiii, eu não estou postando porque algumas pessoas não estão conseguindo acompanhar tudo, então eu estou esperando as estatísticas do blog aumentarem pra postar de novo ahhaha não vou sumir, prometo!

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  7. Continua muito perfeito

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  8. Cadê they meant everything ? ������

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  9. CONTINUA LOGO POR FAVOR POR FAVOR POR FAVOR POR FAVOR

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    1. Posta o próximo capítulo de Soldier logo por favor, quero muito muito muito ler, por favor, não me faz esperar mais ainda, por favor, por favor por favor

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  10. Não some novamente "/

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  11. Pelo amor de Deus criatura não some, ficou perfeito ❤️

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  12. Muiiiito obrigada por continuar, eu havia te pedido pelo tt por esssa continuação e ela está perfeita por favor termine logo estou muito ansiosa pelo final. Esse com certeza é um dos melhores imagines que eu já li, sou apaixonada por ele😍❤

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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  14. PELO AMOR DE DEUS MOÇA, CONTINUA LOGO POR FAVOR. JÁ LI UMAS 20 VEZES E CHORO EM TODAS DO COMEÇO AO FIM. MELHOR IMAGINE ♡

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  15. Continua logo Mulher, abro aqui todo dia pra ver se você já postou, virei sua fã e já li todos os imagines, mas esse aqui eu não canso nunca de ler e reler

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  16. Este comentário foi removido pelo autor.

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  17. Por favor continua, não me abandonaaaaa

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  18. Continuaaa por favor, eu to morrendo aos poucos esperando a continuação desse imagine tão maravilhoso!!!❤��

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  19. mulher, você sumiu, preciso saber o final. Volta please

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  20. E eu ainda tenho esperanças q vc vai continua a fic :') MINHA FIC PREFERIDA <3

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  21. Olha aq, vamo parti pra ameaça, ou cnt ou é tapa virtual amiga!

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