Imagine com Louis Tomlinson - Chasing Stars



Pedido por: Yasmin Stremel.


Minhas mãos estravam tremendo. Dizem que essa é a primeira reação do corpo humano que queima em ódio. Suspirei pelo que deveria ser a décima vez tentando chamar a atenção da mulher à minha frente, mas ela apenas ergueu os olhos do óculos gatinho e voltou a dar atenção para aquilo que parecia ser uma revista qualquer de fofocas.
Joguei o meu corpo contra a cadeira passando minhas mãos nos meus cabelos. Merda, o que ela estava fazendo ali?
- Algum problema, Tomlinson? – Perguntou-me sem tirar sua atenção de sua revista.
- Você é o meu problema.
- É uma honra.
Senti meu corpo tremer mais que o normal e decidi que sairia de perto dela antes que minha paciência acabasse completamente e eu agredisse ela ali mesmo. Andei pelos corredores vazios do aeroporto até o banheiro. Que, aparentemente, era a única coisa aberta por ali.
Joguei um pouco de água pelo meu rosto, me arrependendo instantaneamente assim que senti o quão fria estava. Olhei para o espelho sujo mordendo os lábios. Aquilo parecia mais como uma cena de terror, o espelho estava sujo e a luz estava piscando.
- Abstinência. – Sussurrou aquela voz odiável atrás de mim. Olhei-a pedindo uma resposta. – Duas semanas de carnaval no Brasil usando drogas lícitas e ilícitas. É esse o resultado, Tomlinson. O seu corpo está sentindo falta.
- Você é médica também?
- Só sou inteligente o bastante para saber que não devo usar.
- Por favor, me diga que você vai ficar com a boca calada durante o nosso voo. – Resmunguei apertando o mármore entre os meus dedos.
- Se for tornar sua viagem menos insuportável... Eu vou falar o tempo inteiro.
- Quem é que te mandou aqui mesmo? – Apertei meus olhos encarando seu reflexo pelo espelho. Ela usava uma saia lápis preta por cima de uma camisa social com os três primeiros botões abertos. O cabelo longo e liso estava amarrado em um topete. Os lábios vermelhos contrastando com o óculos preto.
- Sou a responsável pelo marketing da banda, senhor Tomlinson. Eu não vou deixar que todo o meu trabalho duro para chegar onde estou com a Modest por causa de um adolescente cheio de estrelismos. Acostume-se com a minha companhia.
- Isso é meio impossível.
- Uma pena. Agora ande, nosso voo sai parte daqui alguns minutos.
Era quase uma tortura estar ali com ela. O aeroporto estava fechado para voos comuns por conta de uma possível tempestade. O nosso voo para Londres só foi liberado porque ‘não estava em zona de risco’, então se saíssemos o mais cedo possível conseguiríamos chegar à tempo no nosso destino.
Nós estávamos naquele lugar há horas e eu estava profundamente irritado por ter sido retirado da minha cama às duas horas da manhã, e claro, pela insistência em não me deixar viver a minha vida.
Há duas semanas atrás eu vim para o Brasil passar o carnaval. Não há nada demais nisso, sem malícias. Mas quando eu cheguei e vi do que realmente se tratava o carnaval, notícias e mais notícias sobre mim estamparam as capas de revistas inúteis. A verdade é que quase 80% do que diziam era verdade: eu usei drogas, dormi com mulheres diferentes todos os dias, tive as mais loucas experiências sexuais, conheci pessoas e lugares incríveis, mas como tudo o que é bom dura pouco, esse sargento vestido de mulher veio me buscar.
Meia hora depois o piloto finalmente disse que estávamos liberados para partir. O céu ainda estava limpo, ventava um pouco, mas me disseram que esse é o normal do Brasil.
Eu só não sabia que aquele normal iria mudar de uma hora para outra.
(S-N) e eu embarcamos no jato sem trocarmos uma palavra sequer. Ela sentou-se em uma poltrona grande e confortável, à minha frente, separada da minha apenas por uma mesa de madeira em que nós poderíamos nos conectar em computadores e etc.
- Muito bem. – Ela começou me fazendo revirar os olhos. – Amanhã às cinco horas da manhã vocês começarão a gravação do novo álbum. Às dez vocês participaram da transmissão da BBC, e às duas da tarde vocês farão uma coletiva de imprensa para divulgar a nova turnê. E nessa coletiva você vai exibir uma nota pedindo desculpas às suas fãs pelo seu mau comportamento. Eu o tenho escrito bem aqui. – Me entregou um papel. – É melhor que esteja com as palavras decoradas assim que chegarmos em Londres.
- Acabou? – Perguntei com descaso.
- Por enquanto sim, e aproveite a nossa viagem para tentar descansar um pouco, você parece péssimo. – Mostrei-lhe um sorriso carregado de ironia enquanto a observava tirar os óculos e cobrir-se com um grande cobertor branco, se ajeitando para dormir.
Repeti seu ato sem realmente conseguir dormir, o céu estava escuro e a única coisa que iluminava o interior do jato era luz acima de nós já que (S-N) não dormia no escuro. Peguei-me observando suas feições enquanto dormia ela era estranhamente bonita dormindo. Mesmo que o cabelo estivesse todo bagunçado, o batom borrado e a borca semiaberta. Esse voo seria muito mais interessante se ela não fosse tão insuportável. Acabei adormecendo pouco depois.

Acordei com um estrondo e uma (S-N) me estapeando e me chamando com uma voz um tanto alta demais. Abri os meus olhos de uma vez, sentindo-me meio tonto. Pela janela ainda se via o céu escuro, mas havia algo diferente.
- Quanto tempo eu dormi?
- Nem uma hora.
- Por que me acordou? – Perguntei irritado.
- Tem alguma coisa acontecendo. – Revirei os olhos, sentindo o avião mexer com certa força.
- É só uma turbulência, se desesperar agora não adianta em nada.
- Está muito forte para ser uma turbulência.
- (S-N) deita e dorme, tá legal? Você viaja milhares de vezes por mês, já deveria saber como é.
- Eu estou com medo. – Sussurrou demonstrando pela primeira vez uma fraqueza. Olhei pela janela enquanto algumas nuvens, carregadas de energia, piscavam denunciando os raios. Engoli em seco.
- Eu não me importo. – Respondi, colocando os fones e voltando a dormir.

Eu estava realmente cansado naquela madrugada, era um total de quatorze horas até que pousássemos em Londres, eu dormi o mais profundamente possível, mas acordei pouco depois com uma queda de pressão. Abri os olhos no mesmo momento em que (S-N), senti-me um tanto sufocado e sem ar. A mulher à minha frente começou a respirar com dificuldade e segurar o pescoço como se algo a estivesse sufocando. Tive a mesma sensação. Mais um estrondo.
Duas máscaras de oxigênio caíram do teto e eu rapidamente coloquei a minha, mas vi que (S-N) teve dificuldades em fazer o mesmo. Tirei a minha por apenas alguns segundo já que estava completamente sem ar, e coloquei a dela em seu rosto. Ela estava apavorada, o jato tremia e fazia barulhos estranhos. Da cabine ouvimos gritos.
Tirei minha máscara mais uma vez mesmo com as recomendações internas para que não o fizessem, o avião estava todo escuro e assim que deixei (S-N) vi que ela ergueu os pés para a poltrona e começou a sussurrar orações.
Ao entrar na cabine do piloto, vi o que eu temia: Desespero. Sentei-me ao seu lado, pegando a máscara que ali estava, o piloto e o copiloto tentavam falar com a central sem sucesso. Fiz uma pergunta muda com os meus olhos para o copiloto, que respondeu com simplicidade:
- Não deveríamos ter saído de casa.
Nós voávamos baixo, muito mais baixo que o recomendável, lembrei-me que havia deixado minha assistente sozinha no escuro, e rapidamente voltei tentando inutilmente tatear tudo até a encontrar.
Não encontrei.
Me desesperei um pouco, meus olhos se seguiram direto para a porta de emergência que piscava. Ela não seria capaz, seria? Senti meu coração se desesperar por um segundo, e o meu estômago se revirar, quando finalmente outra porta piscou e se abriu. Ela estava no banheiro. O batom mais borrado que nunca, estava tateando o pouco que dava para enxergar com somente aquela luz que anunciava onde era a porta iluminando. Sentou-se onde estava e colocou a máscara. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, e eu sabia que apesar de tentar seu máximo para parecer calma, por dentro ela estava em desespero.
A pressão do ar estava aos poucos nos deixando respirar sem a máscara, e eu realmente pensei que aquele fosse um bom sinal, até que um estrondo maior redirecionasse o bico do jato para baixo nos fazendo cair intensamente.
(S-N) arregalou os olhos e eu imediatamente sentei-me ao seu lado, a puxando para encostar em meu peito, respirei fundo sentindo a minha pressão abaixar e uma tontura tomar conta de mim. Fechei meus olhos e apertei (S-N) contra o meu corpo assim que senti o impacto que dividiu o avião em dois, separando a cabine do piloto com o local onde estávamos.
Eu deveria agir rápido assim que vi a água escura entrando onde estávamos. Desconectei (S-N) da máscara e a puxei comigo até a água. Ela entrou em desespero, começando a gritar ao sentir o quão fria estava.
O avião começou a se desfazer em pedaços e eu não conseguia enxergar os pilotos ou qualquer outra pessoa que estivesse com a gente.
- Temos que procurar por eles. – Ela disse assim que nós nos apoiamos em uma parte do avião.
- Não temos tempo. – Eu sentia meu corpo começar a esfriar, apertei meus olhos e vi uma estrutura que eu esperava que fosse uma montanha. – Você consegue nadar até lá? Ela nada disse, apenas começou a nadar, não estávamos longe, nadamos o mais rápido que nossos corpos gelados permitiam.
Em pouco tempo chegamos em terra, ambos os corpos tremendo e gelados, precisávamos nos aquecer de alguma forma. (S-N) ainda estava em choque e mal conseguia andar sozinha.
Estávamos em uma praia que poucos metros depois era coberta por uma mata fechada, e só então uma montanha. Esfreguei as mãos no meu corpo e me deitei na praia. Me cabeça estava girando, eu não tinha a mínima condição de ficar em pé. Entre o frio que me tocava e os grãos de areia que me acariciavam, tudo o que eu vi foi o escuro.

Abri os meus olhos com dificuldade somente para fecha-los imediatamente assim que a luz do sol me incomodou. Me sentia queimar. Depois de me acostumar com a luz forte me sentei na areia olhando tudo ao redor. Avistei (S-N) perto da água, as mãos cobriam os olhos em uma inútil tentativa de proteger seus olhos.
- Quanto tempo eu dormi?
- Um dia. – Ela disse sem me olhar.
- Você está bem?
- Estou.
- O que está fazendo?
- Tentando encontrar alguém que possa me salvar dessa idiotice que você nos meteu.
- Você faz alguma ideia de onde estamos? – Perguntei, só então parando para prestar atenção no que ela havia dito. – Espera aí. Você disse que eu meti nós dois nessa?
Me levantei e andei até ela, completamente irritado.
- Claro que meteu, se você não tivesse se enfiado naquela porcaria de país estaríamos tranquilos em Londres.
- Tenho que lembrar que quem quis me levar de volta foi você?
- Eu não precisaria te levar de volta se você não estivesse lá. – Virou-se para mim com as mãos na cintura. Respirei fundo tentando controlar a chama que fervia em meu corpo.
Com o máximo autocontrole que eu tinha dei minhas costas para ela. Ouvi-a gritar à plenos pulmões (o que me divertiu um bocado, confesso).
- Você é um idiota! – Seguiu-me. Eu odeio você Tomlinson, eu preferia estar trabalhando de qualquer coisa à ter que suportar você. Tudo o que eu fiz esse tempo todo era tentando proteger você e é assim que você me retribui...
Cansado de sua conversa e estressado o suficiente para agredi-la, virei me rapidamente e com a perna direito chutei um montante de areia em sua saia.
(S-N) ficou paralisada com a boca aberta enquanto eu ria e me divertia. Ela deu uma risada nervosa e irônica, voltando seu olhar pra mim. Eu apenas voltei ao caminho que fazia anteriormente.
Ouvi seus passos atrás de mim enquanto ela agarrava a minha cintura e com a perna atrás dos meus pés (S-N) me levou ao chão, sentando-se por cima de mim.
- Você vai tirar a gente daqui... – Começou.
- Sabe (S-N), é tentador te ver assim... Por cima. – Sussurrei, fazendo força contra ela e empurra meu corpo para que o seu rolasse no chão e me deixasse por cima. – Mas eu nunca fico por baixo.
- Sai de cima de mim. – Ela disse pausadamente.
- Me escuta. – Retruquei. – Ficar tentando achar um culpado não vai tirar a gente daqui.
- Me solta Tomlinson. – Disse entredentes.
- Presta atenção! – Aumentei a voz. – A gente precisa dar um jeito de sair daqui, e pra isso temos que maneirar nas nossas discussões.
- Olha só, essa é a coisa mais inteligente que você já disse.
Sorri de lado com a sua tentativa inútil de me irritar e me levantei, puxando-a pelas mãos para que fizesse o mesmo.
- Alguma ideia de onde estamos? – Perguntei.
- Devemos estar em alguma ilha no continente africano. Ou talvez perto da Península.
- Há uma hora dessa já devem ter percebido que há algo de errado.
- Provavelmente. – Respondi encarando o mar.
- E o que nós fazemos agora?
- Eu não sei. Você acha que há possibilidade de estarmos dentro da Península?
- Quase nenhuma. – Respondeu-me.
- Você quer entrar? – Apontei a mata fechada com um rosto.
- Eu não sei se é uma boa ideia.
- Não podemos ficar aqui parados, (S-N).
- Tudo bem Louis, se você quer ir e enfrentar o que você não conhece pode ir, eu vou ficar bem aqui esperando que um avião pouse e me salve. – Sentou-se prontamente em uma pedra grande.
- Um avião pouse? aqui? – Debochei.
Pela primeira vez eu não fazia ideia do que viria a seguir. Parte de mim ainda acreditava que eu acordaria em algumas horas e perceberia que tudo não passou de um pesadelo.
Eu estava preso em algum lugar entre dois continentes diferentes com uma das pessoas mais odiáveis do mundo, e eu simplesmente não sabia o que esperar. Há essa hora já notaram o nosso sumiço, talvez já até saibam que o jato caiu. Mas o que fariam para nos ajudar?
E se não tivessem esperanças sobre nós?
(S-N) discutiu várias vezes sobre como era totalmente possível que um avião pousasse na água, e nós decidimos que faríamos algo que chamasse a atenção na areia, quando visto do alto. Escrevemos um grande SOS na areia, enfeitado com algumas conchas que estavam na beira do mar, e algumas flores que ficavam no início da floresta.
- Sabe o que significa? – Ela me perguntou.
- O que?
- A sigla ‘sos’. – neguei com o rosto. – Save our souls. Significa ‘Salvem as nossas almas’. Foi criado por marinheiros, e usada especialmente nas grandes guerras. Existem lendas e mais lendas sobre isso.
- E por que utilizavam isso?
- Dizem que era um código Morse. Se algo estivesse acontecendo no seu navio você podia pedir ajuda sem precisar fazer muito barulho.
- Uau. – Disse simplesmente, um tanto impressionado com quanta coisa ela poderia saber, mesmo que não fosse extremamente necessário.

Eu estava morto de fome quando anoiteceu novamente. (S-N) não havia trocado uma palavra sequer comigo durante todo o dia, estava andando isolada pela praia, mesmo que ela não admitisse, eu sei que ela não queria sair de perto de mim, por isso andava por lugares que ficavam à minha vista.
Deitei meu corpo sobre a areia enquanto sentia meu estômago protestar contra a falta de alimento.
- Eu estou com frio. – Ela disse enquanto se sentava ao meu lado.
- Não vou te dar minha camisa.
- Idiota. – Resmungou.
Suspirei abrindo meus olhos, coloquei meus braços atrás da minha cabeça.
- Elas ficam mais bonitas daqui, não é? – Respondi depois de um tempo.
- Elas o que?
- As estrelas, oras.
- Elas são sempre lindas. Na cidade não podemos vê-las por conta do grande número de luzes desnecessárias e...
- Só aproveita a vista, tudo bem? – Eu disse, ignorando sua explicação cientifica para algo que eu realmente não me importava. Foi ai que ela me mostrou uma reação que eu não havia visto partir dela: vergonha. (S-N) abaixou o rosto com as bochechas coradas. – Temos sorte que a Lua esteja tão grande.
- É a Lua Cheia. – Respondeu. – Boa noite Tomlinson.
(S-N) deitou-se de costas para mim e eu pude ver claramente todo o seu corpo arrepiado e um tanto trêmulo.
- (S-N)?
- Sim?
- Vem aqui. – Ela se virou lentamente enquanto me encarava curiosa. Passei meus braços ao redor da sua cintura e atrás de sua cabeça.
- O que está fazendo? – Aumentou o seu tom de voz enquanto tentava me afastar.
- Estou aquecendo você.
- Isso só funciona quando um dos corpos tem calor, Tomlinson. – Revirou os olhos.
- É, talvez eu esteja me aproveitando.


Por mais reclamações e moralidades que eu tenha escutado depois da minha afirmação, assim que ela finalmente dormiu, (S-N) correspondeu ao meu abraço e encaixou suas pernas entre as minhas em uma falha tentativa de aquece-las.
Não preguei os olhos desde então, não só por nervosismo de tê-la tão perto depois de tantas brigas mas também porque, mesmo que eu não admitisse jamais, eu estava com medo.
Assim que amanheceu decidi que não dava mais para ficar sem nenhum alimento, e por mais difícil que tenha sido de convencer (S-N) ela acabou aceitando a ideia de entrarmos na mata a procura de qualquer coisa a qual pudéssemos comer.
Andamos por um tempo dentro da mata iluminada por poucos reflexos da luz do sol. A cada cinco minutos (S-N) gritava assim que via um animal rastejante. Achamos uma árvore com uma espécie de fruto já que (S-N) se recusava a comer qualquer tipo de animal. Também colhemos alguns pequenos pedaços de troncos de árvore para que fizéssemos uma fogueira. Não fomos muito à fundo na mata com medo de não saber voltar, então antes de anoitecer estávamos de volta à praia.
(S-N) abriu um dos frutos e o analisou por dentro, era parecido com uma uva e era bem aguada.
- Isso é o suficiente para aguentarmos a sede por mais alguns dias. – Ela disse. – Você acha que é venenoso?
Ela me olhou enquanto eu fazia a fogueira, eu estava com um cogumelo que havia encontrado e tinha a intenção de aquecê-lo com o fogo. (S-N) ao me ver com ele imediatamente arregalou os olhos e correu em minha direção, batendo no meu braço e jogando o cogumelo longe.
- Ficou louco?
- Eu é que pergunto! – Respondi nervoso. – Você acha que estamos nas condições de desperdiçar comida?
- Isso não é comida, idiota. É uma Amanita Muscaria.
- Hein?
- Esse cogumelo é altamente venenoso, provoca alucinações e nos piores do caso ele te leva a morte.
- Como é que você sabe tudo isso?
- Eu gosto de ler revistas científicas. – Ela disse enquanto eu ia até o mar lavar a minha mão. Assim que me virei em sua direção para dizer-lhe algo sobre inutilidade de revistas científicas e para perguntar se a curiosidade do ‘sos’ também havia saído de uma dessas revistas, a vi parada. – É isso!
- O que?
- Estamos na Península, em algum lugar perto de Portugal.
- E como você sabe disso? – Disse sem acreditar na sua afirmação.
- A Amanita muscaria é típica daqui, não é encontrada em quase nenhum outro lugar.
- Uau, e no que isso nos ajuda?
- Não sei, mas pelo menos eu não sou mais a inútil entre nós dois.
- O que? Você está dizendo que o inútil sou eu? Como você iria se virar com o frio sem mim? – Apontei para a fogueira.
Passamos a noite toda discutindo sobre qual dos dois nos salvaria dali até que um silêncio desconfortável se instalou sobre nós com a possibilidade de que simplesmente poderíamos não sair.
(S-N) insinuou que, pelo clima úmido da mata, poderia haver água doce em algum lugar entre ela. Eu ponderei sua ideia de voltar à mata em busca de água, mas percebi que seria quase impossível.
Estávamos há três dias naquele lugar sem nenhum sinal de que alguém estava nos procurando. (S-N) e eu voltamos a mata em busca de água, dessa vez com um tocha de fogo improvisada, que poderia nos salvar de qualquer animal. (S-N) deixou todo o nojo que sentia e terra e animais rastejantes e se ajoelhou entre a terra um tanto quanto molhada. Seus dedos arrancavam pedaços da terra e os esfarelavam. Eu não sabia o que ela estava fazendo, mas se continuássemos naquele ritmo não sairíamos antes do anoitecer nunca.
- Nenhum sinal de água aqui.
- Não vamos encontrar nunca se você continuar nessa velocidade.
- Tomlinson você poderia me respeitar pelo menos quando eu estou fazendo algo por nós.
- Só estou dizendo (S-N), é totalmente inútil ficar aqui nesse seu ritmo, até uma lesma foi mais rápida que você.
Ela se levantou irritada apontando o dedo para mim e gritando qualquer coisa que eu não prestava a mínima atenção porque estava entretido com as suas feições bravas e o seu cabelo bagunçado.
Me aproximei dela a fazendo se distanciar imediatamente. Foi como um flash, (S-N) pisou em um pedaço de terra vulnerável que cedeu e a fez rolar por um barranco. Me desesperei ao não vê-la mais em minha frente e rapidamente eu desci o barrando em busca dela. Meu desespero ficou um pouco maior quando não a encontrei. Chamei por seu nome algumas vezes e ela correspondeu somente na última.
- Droga, eu estou toda machucada. – Ela dizia enquanto eu tentava seguir a sua voz. – Está doendo muito. – Choramingou.
- Ah meu Deus. – eu disse assim que a olhei, mas não era exatamente para ela que eu estava dizendo. Dentre toda aquela mata havia uma grande abertura em que a luz do sol era presente, e um grande cachoeira caia sobre um lago.
Ela se virou com os olhos arregalados e suspirou aliviada. Só então deixei que meus olhos passassem por ela: sua blusa estava rasgada, deixando parte do sutiã à mostra, a saia levantada expondo sua calcinha preta e pequena, e os seus braços e rosto arranhados.
Nos aproximamos da nascente do lado esperando que a água fosse boa o suficiente para saciar a nossa sede, por sorte, era doce. Nos sentamos perto do lago enquanto eu insistia para que (S-N) me deixasse limpar seus arranhões. Com um pedaço da sua blusa eu molhei o tecido na água, passando cuidadosamente por cada corte.
- É mais fácil eu entrar e tomar um banho. – Ela disse fazendo o meu estômago revirar em excitação ao pensa-la tomando um banho.
- Tudo bem, se você prefere.
- Vire o rosto.  – Ela disse e eu revirei os olhos, mas obedeci.
Logo vi suas roupas sendo deixadas ao meu lado, e confesso: a olhei antes que ela estivesse totalmente submersa. Seu corpo, ao que vi, era maravilhoso e fez todos os meus poros se arrepiarem. Eu sabia que ela era bonita, só não sabia o seu grau de beleza.
- Cuidado onde pisa. – Disse alto enquanto ela molhava o cabelo.
- A água é clara, eu posso ver tudo aqui.
- Ah... – murmurei sem jeito.
- Você não vem? – Ela parou de se mover e ficou me olhando. Pensei várias vezes em como dizer ‘eu não quero ter uma ereção na sua frente’.
- A hm, alguém tem que ficar de olho nas nossas roupas.
- E quem as roubaria, Tomlinson?
(S-N) estava com uma sobrancelha arqueada, como se me desafiasse a entrar na água com ela, e eu por um momento ponderei se aquilo significasse alguma coisa. Sorri de lado e prontamente fiquei de pé enquanto tirava minha camisa e (S-N) fingia não estar me olhando.
Entrei na água aos poucos, ouvindo-a rir baixinho e morder o lábio. Nunca havia sentindo vergonha em ficar nu em frente à uma mulher. Mas (S-N) era assim, me fazia sentir coisas que eu mesmo duvidava que era capaz. Ás vezes eu tinha vontade de bater nela, e ao mesmo tempo uma vontade imensa de beijar seu rosto lindo.
Mergulhei até ela, que manteve uma distância de mim.
- Dá pra ver tudo mesmo. – Eu disse com malícia.
- Não me enche, Tomlinson. – Disse rindo.
- Como eu sentia falta dessa sensação.
- Eu também. – Confessou passando água nos cabelos.
- Os cortes estão ardendo?
- Um pouquinho.
- Deixe-me ver. – tomei cuidadosamente seus braços em minhas mãos. Conforme eu o ergui para fora da água, percebi um movimento em seu peito, que também saiu da água por alguns segundos. Respirei fundo tentando manter meu plano de não ter uma ereção ali, mas ela estava tão desinibida ao meu lado. Passei água nos arranhões, deixando-os limpos.
- Está doendo um pouco. – Ela disse.
Olhei-a dentro de seus olhos grandes, agora sem os óculos. Pela primeira vez eu não estava sentindo uma imensa raiva dela. E assim poderia admitir o quão bonita, até sem a maquiagem, ela era. Na verdade, eu gostava bem mais sem a maquiagem.
Olhei para os seus arranhões, levando cada um aos meus lábios. (S-N) estranhou a minha ação, pois sua reação foi puxar o braço, mas eu o mantive ao alcanço dos meus lábios gelados. Beijando cada arranhão que estampava sua pele. Demorei-me mais em seu ombro um pouco mais ferido que o resto, subindo pelo pescoço e sentindo-a suspirar contra o meu rosto. Levei meus lábios para a sua bochecha, tocando com a ponta da minha língua o que a fez segurar em meu ombro.
Por algum motivo eu sabia que ela estava gostando daquilo, e eu também estava começando a me animar. Arrastei meus lábios para o cantinho da sua boca passando minha língua por ali com um pouco mais de força. Os olhos dela estavam fechados, e as mãos firmes em meu pescoço. Levei minhas mãos até a sua cintura, puxando seu corpo com certa brutalidade contra o meu. (S-N) soltou um gemido tão baixo que se eu não estivesse plenamente envolvido no nosso momento jamais teria percebido.
Abri um sorriso pequeno quando aquele som extremamente excitante e confortável entrou pelos meus ouvidos. Senti minha ereção crescendo contra a cintura dela. Continuei meus carinhos por seu rosto até que sentisse a pressão de sua mão na minha nuca, puxando o meu rosto contra ela. Era um pedido mudo para que eu a beijasse. Sem qualquer tipo de resistência eu grudei meus lábios no dela, e a senti suspirar pelo que deveria ser a décima vez em questão de segundos. Suas mãos desceram da minha nuca para o meu ombro, depois para o meu peito, e com as pontas dos dedos, pela minha barriga. A água batendo em nosso corpo deixava tudo mais interessante.
Sua boca contra a minha era extremamente macia, e me deixava pateticamente hipnotizado, me forçando a continuar com aquilo. Sem que eu esperasse a ponta dos seus dedos tocou a minha glande, fazendo com que eu me sobressaltasse e gemesse contra os seus lábios. Os dedos permaneceram ali acariciando com delicadeza a minha glande enquanto tudo o que eu conseguia fazer era beijar ferozmente sua boca, deixando que nossas línguas dançassem, ou no nosso caso, lutassem.
Infelizmente a iminente falta de luz me chamou a atenção para o pôr do sol que ocorreria em breve, e nós deveríamos estar na praia antes dele. Com cuidado retirei a mão de (S-N) do meu membro, por mais difícil que tenha sido, e ao abrir os olhos e sair do seu estado envolvente ela percebeu que deveríamos ir.
Colocamos nossas roupas e voltamos, com dificuldade para onde chegamos. Ao chegarmos eu repassei em minha mente o discurso que havia criado durante a nossa volta, para explica-la que o que aconteceu no lago não era nada demais, e não havia motivos pra achar que, por causa daquilo, nós nos odiávamos menos. O problema era que assim que refizemos nossa fogueira (S-N) estava carinhosa comigo, mesmo que tentasse disfarçar, e isso era algo assustador para mim.
Ela estava um tanto envergonhada, e sempre me olhava a espera de que eu dissesse algo, ou me aproximasse novamente. Mas, contra todos os meus instintos, eu não o fiz.
Naquela noite, pela primeira vez desde os nossos dias perdidos, ela dormiu longe. E eu? Bem, eu não dormi.
No dia seguinte, ela estava afastada. Não falou comigo ou se aproximou durante todo o dia. Eu também não a procurei, mesmo sabendo que era isso o que ela queria.
Fui até a mata buscar mais frutos para nós e quando voltei ela estava andando nervosamente pela maré, resmungando e xingando até a minha quarta geração. Sobre o quão idiota eu era, e ela deveria saber que não vale a pena sequer ficar próxima à mim.
Limpei minha garganta a fim de mostrar que eu ainda estava ali e quando me viu, (S-N) simplesmente me deu às costas indo na direção contrária.
- Ei, espera ai. – Me aproximei, deixando as frutas onde geralmente dormíamos. – Que droga foi essa? O que eu fiz agora?
- Você é ridículo, Tomlinson. Não vale a pena trocar uma palavra com você. Eu estou com nojo e quero que se mantenha afastado.
- E por que você acha que eu iria querer me aproximar de uma pessoa como você? – Suspirei irritado, passando a mão no meu cabelo. – Não é à toa que o Ethan tenha deixado você.
Ela abriu a boca em surpresa e eu imediatamente soube que tinha falado mais que deveria. Repentinamente seus olhos se encheram de lágrimas e ela simplesmente me deu as costas indo para longe.
Era uma história antiga, mas que eu havia acompanhado de perto. Ethan e (S-N) estavam noivos, mas a relação foi interrompida assim que ela perdeu o bebê que esperava dele. Ela não havia superado ainda por isso eu soube que peguei pesado. Chamei-a algumas vezes, mas ela me ignorou.
O vento da quinta noite estava apagando o “sos” que havíamos feito na areia e eu confesso que o meu feixe de esperança estava começando a se desfazer.
(S-N) sumiu durante todo o dia, reaparecendo a noite, montando sua própria fogueira à alguns metros de mim. Eu queria pedir desculpas e dizer à ela que não era necessário fazer aquilo mas sabia que ela não me daria ouvidos.
Voltei a observar a estrelas, que era o meu passatempo favorito desde que havíamos nos metido naquela situação. Mas, por minutos, me pegava observando outra estrela. Um pouco diferente, mas tão brilhante quando as outras. Ela parecia tão perto e tão distante, mesmo que eu soubesse que estivesse apenas a alguns metros de mim. A estrela mais teimosa e irritante que eu conheci em toda a minha vida.

Acordei sobressaltado com uma gritaria e vi (S-N) pulando e acenando para algo além do mar. Só então percebi um navio ao longe. Ele estava parado, talvez tivesse visto a gritaria que ela fazia. Com ele estava um avião pequeno, que sobrevoava a área em que o nosso jato se despedaçou. Imediatamente parei ao seu lado, começando a gritar também.
Uma euforia imensa tomou conta de mim quando vi que do Navio saia um bote que navegava em nossa direção. (S-N) estava com os olhos cheios de lágrimas.

Assim que chegamos ao navio vimos toda a equipe e a banda lá, nos deram toalhas e cobertores e nós contamos como foi. Liam me contou como descobriram que nosso avião havia caído, e como houve uma corrente mundial de orações por nós.
A viagem de navio foi um tanto quanto longa, até que ancorássemos em Portugal e pegássemos um voo para Londres de lá. (S-N) estava meio relutante em ir de avião mas Niall a convenceu.

Há três dias nós finalmente estávamos em casa respirando aliviados. Tivemos que passar por uma bateria de exames para confirmar que tudo estava bem, fiz uma coletiva de imprensa contando os detalhes sobre o que havia acontecido. Fizemos vídeos e mais vídeos agradecendo às fãs pelas orações.
Durante esse tempo eu não havia trocado uma palavra com (S-N) mesmo sabendo que havia muito a ser dito, pelo menos da minha parte. Por isso fui até o seu escritório no prédio da Modest.
Ela me recebeu depois de muita relutância, e parado em frente à ela eu quase podia me lembrar das boas horas que passamos isolados de tudo e todos. Podia também ver uma grande mágoa.
- Eu só queria dizer que o que eu disse na Ilha... Bem eu não acho que você seja ruim. – Cocei meus cabelos da nuca. – Eu até estou lendo revistas científicas agora. – Sorri. – E eu também acho que o Ethan foi um grande idiota por deixar uma mulher maravilhosa como você.
Ela suspirou sem saber muito bem o que dizer. Olhou para os lados com o lábio inferior preso ao seu dente e disse:
- Eu não te acho nojento. Só um pouquinho. Principalmente quando faz coisas que não são boas. Mas eu tenho que agradecer por ter estado comigo.
- Que bom saber que eu sou uma pessoa só um pouquinho nojenta pra você. – Respondi com a voz carregada de ironia.
- Bem, você parece já ter acabado. Se me der licença eu preciso trabalhar. – Levantou-se da cadeira de couro e foi até a porta, abrindo-a para mim. Repeti seu movimento porém fechei a porta, o que deixou claramente confusa.
- Eu não acabei.
Puxei-a para um beijo mesmo sabendo que talvez ela resistisse e quisesse me matar. E foi exatamente o que ela fez no começo, até que a minha língua tocasse suavemente a sua e ela resistisse. Suas mãos foram para a minha nuca, puxando meus cabelos. Nos separamos assim que o ar faltou, ela estava estranhamente adorável com os lábios e nariz vermelhos, e uma expressão totalmente confusa e deliciada. Ouvimos um pigarreio ao lado da porta e Simon bateu no vidro da janela chamando a minha atenção. Eu ri sabendo que ele me daria a maior bronca por estar ficando com uma funcionária no horário de trabalho. Olhei novamente para ela e disse:
- Eu ainda não acabei.


 N/A: Não tem continuação, o final é por sua conta. Espero que gostem. xX





Imagine com Liam Payne - parte 3







(S-N) costumava ser daquele tipo que cuida, ama, se entrega. Perdoa mil vezes. Não guarda rancor, não consegue sentir ódio de nada. Pensa duas vezes antes de agir, uma antes de falar, e nem uma sequer antes de sentir.
Mas parece que eu já não conheço tão bem assim. Ela não pensou antes de me ignorar por meses até que eu finalmente tivesse minhas merecidas férias e não tinha mais nenhuma desculpa para tentar vê-la, já que somente a via no hospital. E bem... Uma vez no cinema com Catherine e Danny.
Na minha primeira semana de férias eu tive um surto de realidade: eu era pai. Fiquei extremamente aborrecido e de certa forma, enojado. Me arrependo de tratar tratado (S-N) com tanta brutalidade, ou ter falado daquela forma sobre Catherine, mas era a verdade. Depois do surto, tentei de todas as formas falar com (S-N), cheguei a marcar uma consulta com ela, que ao ver meu nome, imediatamente me passou para Daniel.
E eu fui à consulta com o idiota. Não foi fácil ouvir ele, por uma hora, me dizendo o quão covarde eu estava sendo ao reagir daquela forma, mas serviu pra me fazer pensar em como eu estava agindo. Mais ainda, me deixou curioso.
E é pela curiosidade que eu estou aqui, em frente à escola de Catherine vendo a garota sendo arrastada com seu guarda-chuva pelo vento, a chuva estava agressiva e o clima extremamente frio. Algo dentro de mim rugiu o quão irresponsável seria deixar a garota ali sabendo que (S-N) se esqueceu dela.
Dei uma volta no quarteirão deixando meu carro perto da garota. Abaixei meu vidro chamando a sua atenção. Ela me ignorou primeiramente, mas então chamei seu nome.
- Entre no carro, vou te levar pra casa. – Eu disse quando ela se aproximou.
- Não posso ir embora com estranhos.
- Mas eu não sou estranho. Sou hm.... Amigo da sua mãe.
- Qual o seu nome?
- Liam Payne.
- Ela nunca me falou sobre você...
- É que... Bom eu trabalho com ela, eu conheço o Danny também.
- De qualquer jeito, não posso ir com você. – Ela ficou me olhando de um jeito estranho. – Eu te conheço de algum lugar. – Sussurrou.
- Então... Mais uma prova que eu não sou estranho. Você pode ligar para a sua mãe e dizer que está comigo. – Arrisquei. – Mas se continuar ai vai ficar doente.
A garota suspirou várias vezes, ponderando a ideia. Olhou para o caminho do hospital e mordeu os lábios, finalmente abrindo a porta do carro.
- Eu tenho uma condição. – Exigiu. – Vou ligar para a minha mãe antes, só ai você pode acelerar o carro.
Eu ri assentindo (afinal eu não iria discutir com uma pessoa decidida como ela) e esperando que ela fizesse a ligação. (S-N), como esperado, surtou. Pediu para que Catherine passasse o celular para mim e me xingou de todos os nomes possíveis até que eu conseguisse convencê-la de que eu não falaria nem faria nada, estava apenas passando pelo colégio e vi a garota na chuva esperando pela mãe que se esquecera de buscar ela.
Dirigi totalmente desconfortável em direção ao hospital a pedido de (S-N), Catherine me ignorava enquanto tentava enxergar algo através da janela.
- Então... Você tem 10 anos? – Puxei assunto.
- Eu tenho 13. – Me olhou ofendida. – Sou quase uma adolescente.
- Ah, claro, claro. – Ri. – Você quer colocar uma música? – Ela assentiu. – Olhe no porta luvas, tem alguns CD’s ai.
Ela estava entediada com os CD’s que eu tinha, dizia que ninguém mais ouvia The Beatles.
- Isso é uma ofensa aos Beatles, Catherine! – Murmurei bem mais à vontade com a presença da garota.
- Eu prefiro coisas mais atuais, ué.
- Tipo o que?
- Tipo... Ed sheeran. – Ela diz com os olhos brilhando.
- Quem é esse?
- O Cantor mais lindo e fofo que existe.
- Aposto que não canta nada. – Brinquei.
- Isso sim é uma ofensa.
Ficamos um tempo em silêncio, ambos sorrindo largamente ou suspirando. Catherine era uma garota legal e inteligente. Se não me repugnasse tal ato, eu até diria: estou orgulhoso.
- Então como foi o dia na escola?
- Cansativo, eu odeio matemática.
- Por que?
- Porque é chato. Eu odeio números... Gosto de ler.
- Isso é bom, leitura é um ótimo hábito.
- É... Se eu te contar uma coisa, promete não contar para a mamãe?
- Claro, pode falar.
- Eu tirei nota baixa na prova de matemática. – Ela disse como se fosse um crime, me fazendo rir baixo. – Eu só não sei o que fazer, não consigo estudar e por mais que ela me ajude eu não consigo entender e a recuperação é amanhã. Eu planejava ir pra casa e estudar enquanto ela não estivesse, mas agora vou ter que ir pro hospital.
- Você pode estudar lá...
- É, deve ser... Você não está de jaleco. – Ela observou.
- Eu estou de férias.
A conversa foi interrompida quando chegamos ao hospital. Cath, como me pediu que a chamasse, sentiu-se um tanto envergonhada por andar pela primeira vez no local de trabalho da mãe. Levei-a até Lea que avisou (S-N) que ela havia chegado.
- Catherine, filha. – Abraçou a garota molhada – Eu sinto muito, mesmo, me desculpe. Uma paciente atrasou e eu não pude sair antes. Ai meu Deus, você vai ficar doente amor.
Eu não sei explicar exatamente, mas algo em como Cath revirava os olhos, ou como (S-N) falou com ela, me deixou enjoado. E eu, finalmente, me perguntei ‘O que eu penso que estou fazendo?’ Me afastei imediatamente, indo até o meu consultório.
Era ridículo ter me aproximado de Catherine, minha opinião continua a mesma: ela fora um erro. É errado ter filhos na adolescência. Eu não deveria querer contato com ela. Estava prestes a sair do meu consultório, pronto para ir embora quando ouvi batidas na porta.
- Entre. – Respondi, me sentando de novo.
Para minha surpresa, quando virei minha cadeira de couro preta vi (S-N) parada com as mãos na frente do corpo.
- Obrigada por buscar ela.
Me permiti observa-la por alguns segundos, seus cabelos estavam mais curtos, o rosto mais afinado. Ela estava alguns centímetros mais alta, o quadril mais largo e os seios um pouco maiores. Ela estava linda, não há quem possa negar.
- De nada. – Eu disse sério.
Ela apenas assentiu, dando meia volta para sair do consultório. Antes que ela saísse eu completei: - Não faça de novo. Não vou estar sempre à disposição para salvar sua filha.
Me preparei para o grande escândalo que ela daria, mas ela apenas bateu a porta com força, me deixando novamente sozinho, com um sorriso no rosto.
Comecei a andar pelos corredores do hospital e vi Catherine sentada estudando na mesa ao lado de Lea, me aproximei devagar e observei os livros de matemática espalhados pela mesa. Percebi que os pacientes e Lea ao telefone a deixava irrita e desconcentrada.
- Ei. – Chamei baixo, encostando minha mão sobre seu ombro. – Conheço um lugar bem melhor para se estudar, quer conhecer?
- Eu quero. – Disse animada.
- Você deve estar com fome, e ninguém se concentra assim não é? – Perguntei enquanto a guiava. – Vamos comprar alguma coisa pra você comer primeiro.
Ela assentiu educadamente e eu a levei até a lanchonete do hospital, lhe comprando um sanduíche natural com um suco de laranja, já que ela mesma dizia que refrigerante não é nada saudável, o que me deixou secretamente muito orgulhoso.
- Pronta para estudar? – Ela assentiu, então seguimos para a minha sala.
Abri a porta deixando que ela passasse à minha frente. Apesar das cores clara dentro, atrás de uma cortina havia uma porta de corrida que levava em direção à uma varanda florida com uma mesa de ferro.
Ela ficou encantada dizendo que jamais pensava que um consultório médico pudesse ser tão bonito. Passei um pano na mesa por conta da chuva que havia dado horas atrás e nos sentamos. Começamos a estudar, eu não era muito bom em matemática, mas lembrava algumas coisas, infelizmente começou a chover de novo e nos recolhemos para a parte de dentro, aproveitei para dar a Cath um casaco, já que sua roupa ainda estava meio molhada.
Pesquisamos algumas coisas na internet e eu deixei que Catherine fizesse alguns exercícios de equação do primeiro grau, depois corrigi. Repetimos o processo até que o números de acertos dela fossem maiores que o de erros.
Brad, meu melhor amigo, foi até a minha sala e nos ajudou com os estudos. Ela era o tipo de garota que agradava todo mundo. Catherine era adorável, por falta de palavra que a elogiasse mais. Era impossível não gostar de uma garota espontânea como ela.
Enquanto fazia os últimos exercícios encarei Cath. Eu realmente não gosto de pensar sobre isso, mas a garota tinha muito a minha cara, os meus olhos e a minha boca. O nariz, sem dúvidas, era da mãe. Mas eu me via na personalidade daquela garota. (S-N) é estressada, perfeccionista e impaciente. Catherine e eu somos totalmente opostos. Os cabelos dela eram lisos e esvoaçantes, meio claros. Absolutamente linda.
Fomos interrompidos por (S-N) brava batendo na porta. Sabia que ela não queria que eu me aproximasse de Cath, mas eu não consegui evitar. Eu tentei, juro que tentei não me aproximar da garota, não procura-la depois da conversa mais cedo com (S-N), mas algo nessa garotinha simplesmente me atraia para perto.
- Temos que ir Catherine. – Disse (S-N), que cumprimentou Brad com educação, mas sequer olhou para mim.
- Como vou mostrar minha nota pra você? – Cath sussurrou como se tivéssemos um segredo de Estado em comum.
- Bem... Você pode me ligar quando quiser.
Anotei meu número em sua apostila e pisquei para ela. Me repreendendo imediatamente em seguida.
- Cara, você tá caidinho pela garota. –Disse Brad, rindo. Ele era o único que sabia sobre meu parentesco com Cath.
- Não... Eu não sei porque fiz isso. É que depois de ter me contado sobre a sua dificuldade em matemática eu não queria deixa-la se frustrar... Isso é só...
- Seu instinto paterno de proteção falando mais alto?
- É claro que não Brad. Eu não tenho isso. – Revirei os olhos, me convencendo novamente de que Catherine não tinha o menor efeito sobre mim. – E assim que (S-N) souber do meu telefone, vai mandar Cath excluir, e nunca mais nos veremos. Pronto.

Naquela mesma noite me revirei na cama pensando no que estava acontecendo comigo. Em um mesmo mês eu havia descoberto que era pai, desabafado pro cara que eu mais odeio, me aproximado da minha primeira namorada, e tido contato com a minha filha, que por mais que eu não admita, era a garota mais linda e incrível que eu já conheci. Não há como negar que (S-N) fez um ótimo trabalho sozinha.
Brad me mandou uma mensagem, dizendo que iria para uma boate hoje e me perguntou se eu queria ir. Às 23 horas eu estava parado em seu prédio.
No dia seguinte fui acordado com o meu celular apitando às quatro horas da tarde. Praguejei até a última geração de seja lá quem tinha me acordado. Praguejei também o maldito barulho alto do celular que só piorava a minha ressaca.
Mas tudo se aliviou quando vi a mensagem:
“Eu tirei nove. Dá pra acreditar? A prova pareceu muito fácil. Eu não teria conseguido sem você. Quer comemorar tomando sorvete? xX Cath”
Li e reli a mensagem mais de três vezes, completamente orgulhoso de Catherine, mas é obvio que eu não sairia com ela. Tudo o que eu senti no dia anterior voltou à minha mente: eu não devo me aproximar. Não deixei (S-N) e Catherine estragarem minha vida até agora, e não seria hoje que eu começaria a deixar.
Ignorei a mensagem e apaguei. Joguei meu celular de lado, afundado meu rosto contra o travesseiro, respirando fundo e me rendendo à acordar de vez e tomar um banho quente.
Foi assim por dias, Catherine me mandou outras duas mensagens me perguntando se havia feito algo de errado e os meus motivos de não responde-la. Sua inocência chegou a permitir que ela me perguntasse se eu não gostava mais dela. Eu fiquei louco para responder que eu adorava ela. Mas eu não o fiz, ignorei e apaguei mais uma vez a mensagem. Ela nunca mais me mandou mensagem alguma, talvez tivesse percebido que eu não queria mais nenhum tipo de contato.

Passei todo o meu mês de férias afastado de tudo o que pudesse me prejudicar. E quando voltei, para a minha sorte, (S-N) havia entrado de férias. Mas no segundo dia, aconteceu algo que eu não esperava. (S-N) entrou no meu consultório com cara de sono, com o cabelo desorganizado e um Catherine extremamente pálida e sonolenta no colo. Eu estava de plantão então era inevitável atender elas.
Meu coração se apertou ao ver Cath tão pra baixo como estava. Ela estava de olhos abertos, mas parecia não enxergar nada. Piscava lentamente, não me respondia. Fiz exames imediatamente. Percebi suas mãos e pés inchados. (S-N) me disse que ela havia vomitado a noite toda. Sua pressão estava bem baixa.
Eu não consegui evitar uma dor gigantesca ao vê-la daquela forma, e mais: ver (S-N) desesperada. Cath acabou desmaiando por causa da pressão baixíssima e (S-N) entrou em pânico, até que eu conseguisse acalma-la. Ao ver o resultado dos exames, concluí:
- Ela teve uma infecção urinária. Não é muito grave se conseguirmos controlar. Vou pedir que ela seja internada e passe a noite com o soro para que tenha energia novamente.
(S-N) apenas concordou, seus olhos estavam inchados e vermelhos, e eu fiquei realmente magoado com a situação. Segurei suas mãos entre as minhas e disse que ela ficaria bem.
- Sabe... Vá descansar, eu ficarei com Catherine a noite toda. Você não tem condições de continuar aqui.
- E deixar minha filha sozinha? Nem pensar, eu não consigo. – Reclamou. Suspirei alto, escolhendo as palavras certas para dizer-lhe que eu era o pai de Catherine, e mesmo que não me importasse tanto, não a deixaria sozinha.
- Eu vou ficar com ela, enquanto ela não acordar não há nada que você possa fazer.
- Eu sei, mas... Eu estaria abandonando ela. Que tipo de ser humano abandona a própria filha? – Me perguntou totalmente inocente, parando para pensar no que havia dito somente depois. Soltou suas mãos das minhas.
Seu comentário me atingiu como um soco no estômago. Que tipo de ser humano eu era? Vendo (S-N) vulnerável como estava, percebi a garota por quem eu fora apaixonado. Eu a achava linda chorando. Era natural, espontâneo. Mostrava que por detrás daquela força assustadora que ela transmite, ela é só mais uma garotinha assustada que precisa de proteção. Inconscientemente pensei que eu não reclamaria em poder dar a proteção que ela merecia.
Depois de alguns minutos de conversa, finalmente a convenci a ir para casa descansar e prometi que assim que Cath acordasse a ligaria. Me dirigi para o quarto de Catherine, e me sentei na beirada da cama, ajeitando os fios de seu cabelo que insistiam em ficar nos seus olhos.
- Você me deu um baita susto, não faça mais isso. – Suspirei antes de dizer. – Acho que agora entendo como meu pai se sentia quando me via chegar em casa bêbado. – Ri. – É a mesma preocupação. Acho que às vezes meu lado ‘protetor paterno’ realmente ganha vida. – Passei a mão por seu cabelo mais uma vez. – Mas não tem como me segurar, você é linda demais. Até assim, tão pálida que parece um vampiro.
Olhei para a janela aberta antes de puxar o cobertor branco para mais perto de seu rosto.
- Você me deixa agir como pai somente por essa noite e promete não contar pra ninguém?
Sorri sabendo que ela não responderia.
- Eu posso te contar uma história se quiser. – Me levantei indo até o armário e pegando um livro. – Eu adoro essa... Sei que você está meio velha para contos de fadas, mas eu não tive a oportunidade. Se você preferir vampiros e lobos, eu entenderei. Mas me deixe ler ‘A pequena sereia’ só hoje, tá?
E assim comecei a ler o livro para ela, mesmo sabendo que ela não ouviria. Era simplesmente incrível estar tendo um momento como pai de Cath, eu não queria me acostumar com a sensação mas com certeza poderia senti-la mais vezes.
Algum tempo depois a história acabou, desci o livro da frente dos meus olhos e vi duas íris castanhas me encarando curiosas e um tanto... felizes.
- Eu sei quem você é. – ela disse. Senti meu coração disparar, antes de pergunta-la sobre o que ela estava falando, ela se moveu um pouco e tirou um papel do bolso da calça. Era uma foto. – É o primeiro namorado da mamãe. Ela sempre negou e disse que vocês eram amigos... Mas a vovó me contou.
Sua voz estava fraquinha, em si, ela estava bem fraca. Peguei a foto com a minha mão e não pude deixar de abrir um sorriso largo.
- E eu adoro a pequena sereia. – Completou, fazendo meu sorriso se alargar. – Você não gosta mais de mim?
- Claro que não Cath, eu adoro você. E fiquei muito orgulhoso com o seu nove. Você é muito inteligente, só precisa acreditar mais no seu potencial.
- Por que não me respondeu?
- E-eu... Eu não tive tempo. – encerrei o assunto.
- Está doendo.
- Onde? – Me aproximei imediatamente. Ela levou a mão sem as agulhas até um pouco abaixo de sua barriga, na região de sua bexiga. – Dói quando você faz xixi?
- Eu não vou responder isso, é muito pessoal!
- Querida, é um exame... – Perguntei, convencendo-a a me responder. – Vou apertar aqui e você me diz se dói ou não, tá?
Ergui seu casaco e abaixei um pouco sua calça, e assisti o exato momento em que suas bochechas coraram. Não evitei sorrir. Comecei a apertar a região de sua bexiga. Cath fez uma careta, dizendo que doía um pouco. A prometi que iria passar com alguns remédios.
Lembrei-me de ligar para (S-N), que imediatamente foi até o hospital, e chegou exatamente quando Cath disse que estava morrendo de sono, e iria dormir porque eram três horas da manhã e criança nenhuma fica acordada nesse horário.
- Ela vai ficar bem? – Perguntou-me (S-N).
- Sim, ela ficará. Mas você deve ensina-la alguns novos modos higiênicos. O órgão sexual feminino é extremamente sensível então vamos alterar algumas coisas, e passar alguns remédios especiais na região para evitar novas infecções. – Alertei-a, em seguida peguei um molde clínico de um órgão sexual feminino e mostrei como ela deveria prevenir Catherine. Mas (S-N) começou a rir enquanto eu passava minha mão na vagina artificial tentando explica-la como fazer um banho Maria.
- Desculpa, desculpa. Eu não vou mais rir. – Disse em meio a risadas. Não me contive e comecei a rir também. – Sabe, esse molde deve ser muito útil em dias ruins.
- Eu nunca pensei nisso, mas agora que você disse... – Brinquei.
Passamos a noite toda acordados, pela primeira vez em muito tempo conversando como dois adultos que erámos. Sem brigas ou ofensas. Mas eu sentia como se devesse algo.
Catherine havia voltado a dormir enquanto (S-N) e eu sentamo-nos no sofá de couro do quarto.
- Eu te devo desculpas. – Comecei, sem pensar bem no que dizer. - Jamais deveria ter dito que Catherine foi um erro. Porque ela é a garotinha mais incrível que eu já conheci. Também não deveria ter te abordado daquele jeito. Eu sinto muito, de verdade.
- Tudo bem. – Respondeu não muito contente com o novo assunto.
Catherine pode sair do hospital no dia seguinte, recomendei à (S-N) que a fizesse beber muita água e tivesse cuidado com certos alimentos. O que deixou Cath aborrecida por saber que não deveria comer hambúrguer todo fim de semana.

Dias depois recebi uma mensagem de (S-N) que dizia que Catherine estava com saudade de mim, me perguntando se eu gostaria de jantar com elas, já que elas iriam oferecer um jantar para algumas pessoas do hospital.
Arrumei-me o mais simples e aquecido possível para o tal jantar, eu estava ansioso por ter uma nova chance de acertar com elas. Não queria voltar e fingir ser algo que eu não sou. Mas realmente queria estar próximo da minha filha. Passei tanto tempo tentando mostrar à todos que eu era um homem extremamente responsável que não pensei no quão imaturo estava sendo renegando Catherine.

Apertei a campainha consciente de estar alguns minutos adiantado do horário marcado no relógio, mas foi um pedido de Cath. (S-N) abriu a porta um pouco desesperada, e eu deixei meus queixo cair ao vê-la usando um vestido completamente atraente, com o cabelo solto (que era muito raro ver ela de cabelo solto no hospital), e pouca maquiagem.
- Você está... Absolutamente linda. – Respondi, entregando-a as rosas que eu havia comprado para me redimir de tudo.
- Obrigada. – Respondeu sem graça, pegando as rosas e me dando passagem para entrar. - Fique à vontade, desculpe por Cath lhe pedir para chegar mais cedo, aparentemente ela gosta muito de você. Você quer beber alguma coisa? – Me perguntou indo para a cozinha.
Demorei alguns segundo para ir atrás dela e responde-la, porque 1) O bumbum dela estava lindo naquele vestido de renda e 2) ‘Aparentemente ela gosta muito de você’.
- Eu gosto muito dela. – Respondi, vendo-a se abaixar para pegar uma garrafa de vinho. Mordi meu lábio ao vê-la daquela forma. Ela não parece tão maravilhosa assim vestida com um jaleco. – Eu faço isso. – Me aproximei dela, por trás, deixando que meu hálito batesse em sua nuca, o que a fez arrepiar e se virar para mim. Abri a garrafa de vinho, me servindo um pouco.  – À Cath. – Ofereci um brinde. (S-N) me correspondeu prontamente.
Logo Catherine desceu as escadas com um vestido nude cheio de brilhos na parte de cima, e um pouco rodado. Sorri com a garota linda de todas as formas. Ela me puxou para o corredor, a fim de me mostrar o apartamento, que não era tão grande, mas confortável.
- E esse é o meu quarto. – Disse quando entramos em cômodo com tons claros e uma cama branca de ferro, com algumas decorações em flores que estavam presas aos ferros. Era um quarto bem feminino.
Catherine ficou empolgada e começou a me mostrar todos os seus livros e dvd’s e eu não escondo que morri de ciúmes quando a ouvi falar do tal Ed Sheeran.
- Mas a mamãe não me deixa colar pôsteres na parede.
- Ela está certa, esse tal Ed é feio e o seu quarto é bonito demais para ele.
- Ele não é feio Liam, até a mamãe acha ele bonito.
- Você e sua mãe estão erradas.
- Você está com ciúmes. – Ela riu.
- Talvez esteja. – sussurrei.
Logo o apartamento já estava com algumas pessoas, (S-N) comentara que não convidara muitas pessoas, somente eu, Lea, Danny e uma cota de quatro enfermeiros ou médicos que eu nunca dei muita importância.
Comemos um delicioso assado que ela preparou. Cath estava amiga de todo mundo, e eu não podia me sentir mais orgulhoso da minha garota.
Danny sentou-se ao meu lado no sofá, com uma garrafa de cerveja em mãos.
- Vocês parecem se dar bem, e você... Arrependido.
- Percebi o covarde que estava sendo. Eu gosto de (S-N), ela é uma mãe incrível. Gosto mais ainda de Catherine.
- É impossível não gostar delas.
- Sabe às vezes eu penso... E-eu quero me reaproximar de (S-N), quero ter mais contato com Catherine, gostaria que ela soubesse a verdade, mas sei que está cedo demais.
- Você está mudando. Isso é bom.
Eu sabia que Danny tinha uma espécie de amor platônico por (S-N) e era justamente por isso que eu estava lhe dizendo tais coisas. Para mostrar-lhe que ela era minha. E que agora, mais que nunca, eu realmente queria tê-la de volta.
Todos os convidados foram embora e eu ainda estava no quarto com Cath já de camisola e deitada, apenas lendo uma história para ela. Depois de me dar um beijo no rosto, ela se virou e dormiu, e antes de sair eu apaguei o abajur do quarto.
(S-N) estava na cozinha, já sem os saltos e com o cabelo preso todo bagunçado.
- Você precisa de ajuda?
- Não, eu contratei uma moça para limpar amanhã. – Sorriu. – Ela dormiu?
- Sim, dormiu.
- Ela gosta mesmo de você.
- Eu sei... Eu tenho que admitir que errei demais com vocês, mas Catherine é incrível, eu me descubro mais encantado com ela a cada dia que passa. Eu sei que mil palavras não dizer o quanto eu me arrependo...
- Sou psicóloga Liam, não preciso de palavras. Eu quase sei o que você está sentindo só de te observar por alguns segundos. – Sorri. – Por isso não discuti naquele dia no seu escritório. Simplesmente porque você queria me provocar, mas no fundo, tinha adorado o dia com Cath.
- Você tem toda razão, e eu não devia ter feito aquilo. Me desculpa mesmo.
- Tudo bem...
- Bom eu acho que vou indo, está tarde. – Ela assentiu, me acompanhado até a porta. – Obrigada pelo jantar. – Beijei-a no rosto, sentindo a textura macia de sua pele, e o cheiro de fruta que continha na sua maquiagem, sorri imediatamente.
Dirigi até meu próprio apartamento, e enquanto me deitava me peguei pensando no quão bonita ela estava esta noite. Aquela mulher era incrível, tinha um corpo que, aos meus olhos, era maravilhoso e um rosto lindo. Imaginei-a se vestindo para dormir e por pouco senti falta do calor que era tê-la por perto. Eu poderia estar ali com ela, aquecendo-a naquela noite fria. Adentrando minhas mãos pela sua camisola, que imaginei, era preta e rendada. Sentindo sua pele quente sobre minha palma. Mordi meu lábio, apertando meus olhos ao sentir que estava começando a me animar.


Eu estava andando pelos corredores do hospital quando vi (S-N) abraçada a Danny, mordi meus lábios imediatamente, sentindo um aperto inexplicável no peito. Quando se soltaram percebi o rosto inchado de (S-N), com o nariz vermelho. Voltei para o meu consultório, contando os minutos para poder, finalmente, acabar o meu expediente.
No meio de uma consulta recebi uma mensagem que só pode olhar muitos minutos depois. Era de Catherine.
“Podemos tomar sorvete? Eu não quero ficar sozinha xX”
Estranhei seu pedido ao mesmo tempo em que ele me fez sorrir, há meses ela queria sair comigo, então por que não?
Respondi sua mensagem dizendo que às seis horas eu passaria para vê-la. E claro, falei com (S-N) antes. Ela não me contou nada, e não quis muito falar comigo já que ainda estava nos braços de Daniel, apenas disse que eu poderia sair com Cath.
Quando parei em frente ao prédio das duas, Catherine já estava na portaria, com uma calça jeans escura e um casaco grosso. Ela entrou no carro sem esperar nenhum tipo de autorização.
- Olha está frio pra caramba, não acho que sorvete seja aconselhável, mas podemos tomar um chocolate quente se quiser.
- Tanto faz, só preciso sair daqui.
- O que houve? – Encarei-a vendo que ela estava no mesmo estado que a mãe.
- Podemos falar sobre isso depois?
- Claro.
Paramos em uma sorveteria e pedimos chocolates quentes, eu estava curioso para saber o que estava acontecendo entre as duas, mas sempre que tocava no assunto Catherine mudava.
Somente cheguei ao ponto quando voltamos ao carro ela me pediu para darmos uma volta 
pela cidade, que ficava muito bonita no outono.

(Coloque para tocar)

Ei garotinha.
Talvez você não conheça essa música.
Esse não é o tipo de música que dá pra cantar juntos
Mas, ei garotinha
‘Talvez um dia’
É isso o que dizem as boas pessoas

- Não me deixaram entrar no time de futebol na escola porque todo mundo nele tem pai. E eu não. – Ela começou com a voz embargada, quase me fazendo frear o carro. – Disseram que eu sou diferente.
Ei garotinha, olhe o que você fez
Roubou meu coração
E tomou posse dele.
Ei garotinha.
‘Preto e branco’ ‘Certo e Errado’
Só vivem dentro de uma canção
Que eu cantarei para você
Não precisa se sentir sozinha
Não precisará derramar uma lágrima sequer.

- Eu discordei, eu disse que tinha um pai mas ele estava muito longe agora... – Começou a fazer rabiscos no vidro embaçado, enquanto eu sentia meu estômago embrulhar. – Mas eles não aceitaram
Como posso olha-la nos olhos
E contar-lhe tamanhas mentiras?
- Eu disse que tinha o tio Danny, que era como uma pai. – Olhei para ela, ela não o considerava realmente como um pai, não era possível. – Mas disseram que ‘tios’ nunca serão ‘pais’.
O melhor que eu posso fazer é tentar lhe mostrar como amar sem medo
Minha garotinha.
Você roubou o meu coração
E o fez seu.
- Eu pedi para a mamãe me buscar na escola, e quando chegamos em casa eu pedi para que ela me contasse do meu pai. Mas ela não quis e disse que eu não tinha o direito de perguntar dele, ou de sentir falta dele quando foi ela que sempre cuidou de mim, que sempre fez tudo por mim. – Ela suspirou. – Estou errada em querer saber do meu pai? Isso não significa que eu não ame ela. Eu só quero saber quem ele é... Eu queria falar com ele. Se ele não gostar de mim eu nunca mais volto atrás dele, eu só queria...
Ei, garotinha.
Olhe o que você fez.
Roubou meu coração
E o fez seu.
- Talvez o seu pai não mereça uma filha maravilhosa como você. – Respondi.

(N/A): Com raiva do Liam? Essa foi a minha intenção! Espero que gostem, a continuação sai em breve.